FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Você é seus pais, seu filho será você...

..."é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há..."                          Renato Russo

Nesta pequena reflexão, convido-o a analisar algumas questões sobre o porquê de estarmos nesta vida.
Será que nestes longos anos de vida você já parou para pensar sobre quem é você? 
De onde veio, porque está aqui e para onde vai?
A vida para você é algo com ou sem sentido?
 Simplesmente nascemos, crescemos, existimos e depois tudo se encerra com nossas mortes ou há um verdadeiro motivo para estarmos aqui?
Se pararmos para analisar, provavelmente nos daremos conta de que somos muito mais do que temos sido e aparentado.
Poderemos ser a diferença da pessoa ao lado que, pela falta de uma palavra amiga, busca a morte.
Poderemos ser a certeza de que haverá amanhã para muitas pessoas, inclusive aqueles que por vezes amamos demais e não sabemos demonstrar.
Seja porque fomos educados de forma séria e sisuda e nos tornamos duros e sisudos.
Seja porque aqueles que nos criaram não souberam nos dar além do necessário material à sobrevivência e então não sabemos dar aquilo que não aprendemos. Será?
Não creio seja possível.
Muito ao contrário.
Por mais difícil que possa ser, aprende-se a amar com gestos e palavras ao longo da vida, ainda que não tenha recebido tal daqueles que lhe criaram.
Amar dói, mas ausência de amor mata.
Então é apenas uma questão de escolher como e viver, bem ou não.
"...É preciso amar” todas as pessoas ”como se não houvesse amanhã”, por mais difícil que isto possa parecer...”porque na verdade não há..." ainda que não se saiba se para você ou para elas.
O amanhã é o hoje que ainda não aconteceu e que não se sabe se acontecerá. Porém, para que aconteça melhor, só depende de você.
Então porque não fazê-lo?
É certo que no dia de hoje (comemoração da ressurreição de Cristo) muitos passaram o dia a refletir sobre suas vidas, seus atos, suas relações com seus próximos,  saudades daqueles que por essas ruas da vida encontram-se mais distantes, enquanto que em algum lugar do mundo alguém ficou pensando sobre a próxima invasão militar americana (Irã?) e suas catastróficas conseqüências para a humanidade.
Sim, para a humanidade, porque cada vez que uma guerra acontece mundo afora, o mundo todo sofre suas conseqüências.
Sofremos a dor das mazelas e toda sorte de infortúnios e desgraças a que são submetidos os povos invadidos  que vemos pela tv e nada podemos fazer, sofremos a derrota da ignorância e da arrogância em detrimento de uma boa conversa, a vergonha de ver aquele que se diz o povo mais "avançado" do mundo mostrando mundo afora suas piores vergonhas e faces (lembram-se dos mais recentes, os iraquianos? e o povo afegão, ninguém mais fala nada, a imprensa não mais notícia. Será que não há nada mais lá para ser visto ou comentado pelo mundo, do que haverá restado de lá?).
Sofremos a certeza de que aquela mancha de sangue jamais deixará a história que acontece à frente de nossos olhos e ainda sofremos a certeza de que teremos que explicar às gerações posteriores esta vergonha despudorada e sem tamanho que nada fizemos para impedir.
Será que vale a pena não amar o próximo hoje, amanhã e no futuro em detrimento de "ouro" que possamos angariar?
Que futuro haverá se não houver com quem compartilhar?
É certo que nossos filhos terão vergonha de pais que viram o mundo que seria para eles, ruir à sua frente e nada fizeram para impedir.
É certo que sofreremos por isto.
E o que podemos fazer agora?
E você, o que pode fazer agora?
Acredito na importância de que cada qual faça a sua parte, sem olvidar que seus filhos serão exatamente aquilo que você for agora e lhe cobrarão por aquilo que, pela sua sucumbência, não puderem ser.
Contribuo como posso, disseminando pela pena e papel virtuais o que sinto e como sinto o mundo quando olho para ele e o percebo-o a cada dezena das que contam a minha história, um tanto mais degradado.
Você é a certeza que seu filho tem de que haverá amanhã...

São Paulo, 16.4.2006, porque aqui também se ama e se degrada...

Os 'quases'

 

Quase todas as coisas são
 Ou poderiam ser como as outras,
  Não fosse a dor da ausência tua,
   Não fosse a vontade de olhar nos teus olhos   
    E não poder,
     Não fosse saber que tu fostes e não tornarás.
      Quase tudo poderia ser como antes,
       Não fosse meus lábios terem tocado os teus,
        Não fosse o gosto de saudade
         Da boca tua que ainda desliza
          Na saliva da boca minha
           Fazendo lembrar o quando é bom
            do beijo teu o gosto.
Quase nada poderia ter mudado
 E tudo seria o mesmo de sempre,
  Não fosse ter te conhecido
   E contigo aprendido a sentir
    Da ausência a falta,
     Da saudade a distância,
      Da vontade a impotência
       Face à certeza de que o tempo
        Nos fará nos perder de nós...
         E não tornará jamais...

São Paulo, 31 de março de 2006,
porque aqui, tudo acontece, mesmo!
A dor, inclusive...rs