FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog
História

Pra que fugir a dor intermitente,
Se a ferida que sangra insiste em não fechar?

Pra que manter acesa a luz, se meus olhos correm as fotos na parede e a dor corre
ao meu peito?

Viver, tem graça isso?

Vejamos.

Nasci, cresci, "virei gente", tenho nome, RG., conta em banco,
Muitas contas a pagar.

E história pra contar.

Só que a da planta que esta à minha frente é mais bela.
Por certo que é.

Os quadros que enfeitam o que chamo de lar levam além.
Alguns de meus objetos também contam histórias.

E minha história é apagar a luz para não ver quadros,
objetos e fotos e deixar que as lágrimas rolem, discretas.

RECOMEÇO

Manhã de sol,
terra distante.
Lendas de outrora,
tempos correntes
Histórias em contos,
que contam pra gente.
O tempo das flores,
nos mostra a troca.
Um ciclo se faz,
e a vida se renova.

Letra de música, gravada.

OS CAMINHOS ESTREITOS DA NOITE

Na melancolia da noite é que
tudo acontece.
Bocas se entrelaçam,
mãos correm estradas ofegantes
de corpos incandescentes.

Sexo ardente.

Criaturas que se movem
a passos rápidos,
galgando tempo para manter acesa
a chama da atividade.

Solidão sim.
Companhia condenável.
Certeza da absorção.

O sistema e a selva da noite
vencem, noite-a-noite, os desalmados
que nela caminham, lutam, correm.

Há fuga? Por que?
Pra que?
Saberão viver n'outro lugar, outra vida?

A noite se encerra ao crepúsculo crescente,
corpos caem estilhaçados a recompor-se
para o ocaso seguinte, desta feita decrescente.

E outra vez a noite recomeça
e a vigília arderá por toda ela.

E a vida noctívaga é um ciclo, vicioso e sem fim...

NOITE -- letra de música

NOITE

Noite,
Noite afora, caminho pela vida,
buscando essa história.

Noite,
Noite afora, buscando
intensamente este momento.

Noite,
Que te fez pra minha
vida mais que pensamento.

Noite,
Que te quero dia, fato, essência.
Noite, sol, sal, céu.
Água do mar que vem de longe,
Água da fonte que ao
sol brilha e ofusca a vida.
Noite, dia, sol, céu, sal, lua.
Noite, Que me traga tua alegria.
Noite,
Noite afora, que traga a força,
o estribilho e a rima,
pra que esta canção
passe a mais que bailarina e alce a lua tímida, que ilumina...

A noite...

Noite afora, que me batem pensamentos
e descubro que momentos se foram...

LETARGIA

Apatia, desinteresse,
ausência de estimulo para a vida em sociedade.
Corpos que caem e ninguém sequer se dá o trabalho de recolhê-los,
e ali apodrecem, no esquecimento.
Abstinência de compaixão.
Ou ausência de coração?
Solidariedade é a melhor opção.
Solidão é a presente.
Vivemos o êxtase e o ápice.
O êxtase,
por todas as sensações que vem sendo
causadas pelo cenário nacional
e os "tempos modernos".
Abrangente, a forma generalizada se sobressai.
O ápice, da estúpida letargia
que nos afeta e nos impede de reagir,
gritar, exigir direitos cumpridos.

E os poucos que assim agem têm a voz calada,
sob o jugo da prática de "demagogia".

Resta a questão:

Há jeito para esta vida
contundente, ou nos resta a
câmara ardente?

DAS RAZÕES DA RAZÃO

A razão entra na história
pra suprimir a ausência de convicção.

A razão em um grande embate
mostra mais poder de reflexão.

A razão sublima o coração
e age com cautela.

A razão jamais se perde de si ou
de outrem,
não faz apologia,
não fala em tom de utopia
e leva na sabedoria.

PENSAMENTOS EM MOSAÍCO: O LABIRINTO

Solidão! Que nada...
Qual uma planta, me sinto ao te ver dor e não agir.

Evasão! Que nada...
As pessoas se foram porque a estrada bem as acolheu.

Tribulação! Não, nem pensar...
Apenas uma fase. E vai passar.
Só não sei quem passa primeiro, eu, ou ela...

Solidez!
Segurança!
Vejo nas pedras a força que não tenho
Idealizo escaladas, mas temo pelas quedas.

Queda: Hipótese ocorrente de um ato vertente.
Ou será hipótese vertente de um ato ocorrente?
Possibilidade.
Desistência.
Sobrevivência: lute pela sua existência.

Recomeçar:
A vida, segundo dizem, é sempre um recomeço.
Pedaços que se vão.
E o que vai, jamais volta.
Tudo é possível, quase tudo é permitido.
Só é proibido desistir.
Para tal não há perdão.

O fim:
Curvas, beijos, quedas, risos, lágrimas, sonhos,
mordidas, pesadelos, pedras cantantes, flores que assoviam,
árvores que declamam poemas,
homens que se declaram a outros,
mulheres que se beijam,
tempo, vento, atalaia,
fuga, substrato de um mosaico que encontrou
pelo caminho um labirinto, e lá dentro partiu-se e espalhou-se.

Já não sei se sou mosaico ou labirinto,
mas ainda respiro...

CAIS DA GLÓRIA, UMA HISTÓRIA DE SÃO PAULO, CIDADE DO MUNDO

Eu dei a volta ao mundo!
E descobri o Brasil...
Sem sair de São Paulo.
Na Portuguesa, no "Cais do Porto", vi e ouvi, entre outras,
uma linda "irmã" que me tirou lágrimas entoando seus lindos fados,
canções sentidas, cantadas com as cordas d'alma!

Nas ruas do Bixiga, dei-me com as mamas cantarolando as
suas "tarantelas", em grandes festas em cantinas como
a "Lazarella", em cujas mesas, as toalhas em xadrez, ora alviverde
(dá-lhe "parmera"), ora alvirrubras, deixam deitar sobre
as melhores massas da cidade.

Em meio ao colorido bairro da colônia japonesa, que agora
também abriga chineses, passo em Tóquio, ao ver a correria daquela
gente pelo trabalho (quem sabe se não foi com essa parte que eles
contribuíram para a formação do paulistano???), me sinto feliz no "Sushi
Y.", quando navego em meio a sushis e sashimis...

Existe mais a falar, mas aí eu estaria sendo repetitiva...
por exemplo... dizer que em partes da Paulista ou da República me sinto em Praga,
especialmente quando vejo algum artista virando chapéu...mostrando suas artes...
Dá vontade de pegar meu violão e ir pra lá virar chapéu
também, só pra sentir como é, e depois contar aqui...

Mas, desses povos que eu falei, eu provei a recepção, a culinária, a
Acolhida, e creio serem a base do povo paulistano e paulista.
Aos demais, me curvo com respeito, sem esquecer da deliciosa comida
árabe servida pelo pessoal da "Catedral", ali na Bernardino de Campos,
"pertim" daqui de casa.
Porque São Paulo é com orgulho, a única* cidade do mundo,
que tem o privilégio de ter o mundo inteiro aqui.

*A despeito do tamanho de Nova Yorque, não creio que tenha
a diversidade racial que temos por aqui, e do jeito
que as coisas andam por lá, deixará de ter muito.

CEGUEIRA

Olhar, até meu olhar se perder.
Sonhar, até acordar e vencer
Vencer?!
Me espantar com o espasmo do entardercer
e depois retroceder.

Retroceder ao anoitecer
porque a noite só olhos de lince
ousam vencer.

E sofrer!

Sentir o cheiro de terra debaixo d'água que cai.
Sentir sede e viver a ausência de um gole.

Questionar!
E perder.
Melhor viver e vencer,
a sonhar e não ter...

Caminhar é dor.
Retrocesso é dor.
Sonhar é dor.
Lutar é dor.

Viver!

Não, só EXISTIR,
mas

até quanto no limite imposto,
na cegueira fria, sórdida e impotente?!

Cruzada

O silêncio teu me faz transgredir,
Cruzar fronteiras,
Ir além do possível
Vencer o improvável.

Cada tempo ao lado teu
é uma eterna reflexão,
na busca do que pensas
são elementos que ficam e que vão.

Queria dobrar teus sentidos,
roubar teus pensamentos
e deles extrair o que planejas para mim.

Diverso disto tornaste minha mente inquieta,
Fizeste meu movimento lento,
Meu corpo trêmulo de angústia.

Não sei a quantas bate meu coração, que rápido!
Por meus pensamentos respondo a contento:
-correm desatinados,
de um lado a outro,
sem saber onde parar.

Meus olhos que também correm,
buscam parada:
-palavras tuas que hão de
permitir-me a conclusão.

Só não sei se hei de
encontrar o meu aconchego.

Adaga

Adaga
Adágio
Sangue
Profano
Compaixão
Insana
Previsão
Fera

Adaga,

arma... fere, sangra e mata...e mata, e mata,
e matar, quando se mata com gana é morte profunda!

Adágio,
andamento lento, pausado, vagaroso...
O tempo e o modo,
a vez e o jeito de morrer.
Porque eu quero assim!

Ficarei, e nas minhas mãos o sangue,
que escorre e seca.
E seco, não é mais que pó...
Que se bate mão com mão e se perde no vento.

Profano,
o ato contrariou os mandamentos sagrados:
"não matarás" e "amarás ao próximo como a ti mesmo".
Como, se o próximo não me ama como a si mesmo e
mata-me um pouco a cada dia ?

Compaixão,
hei de tê-la... há e como hei de tê-la...por mim...

Insana,
a mente perdeu-se da realidade.
Será ?!
Ou busca um meio de sobreviver?

Previstos,
os fatos eram, e se não, deveriam,
nítida era a sanha pelo sangue que se lhe fez a destruição.

Ferida,
a fera ergue-se a se defender, porque viver e preciso!
E os dias virão...

As horas

Há tantas horas a esperar.
Há tantas horas a recomeçar.
A lua vai, o sol vem.

É tempo de espera,
E se apresenta uma nova era.
Silêncio, estampilhos, estalos.
Gritos, prantos, solidão...

Permea o desespero.

Verão vermelho,
Fim dos pontos.
Estanque, o sangue já não corre... (alguém morre...)
Ao longe um canto,
À embalar a cena em lugar do pranto...
Um canto doído, um pranto d'alma.
Silenciosamente, uma voz pede calma.

Grita o absurdo...

Calada, a voz já não fala.
Inerte, o corpo já não se move.
Em silêncio, meus olhos pedem paz!

Permanece a solidão que me entristece

Apresenta-se a ausência.
Fim dos pontos
Verão vermelho.

Estanque, a voz já não se move,
Uma estranha sensação me absorve,
e que a vida se renove.

Motivo

Por essa noite eu tanto esperei...
Essa noite que eu tanto planejei.
Quanto eu quis te dizer,
mas não pude...

Os empaços foram tantos, que houve momentos em que me perdi de ti.
E nestes instantes entrei em desespero,
porque tudo que eu queria era você.

Esperei a vida toda pela hora
de ganhar teus beijos, teu carinho, teu amor,
ser feliz e nos teus braços adormecer,
certa de que no dia seguinte você estaria lá, à
me amparar e, assim, receberíamos um novo dia.

Fui desditosa nos meus atos, eu sei,
mas foi por desespero!
Foi o meio que encontrei pra te dizer: -ei, estou aqui,
-ei, me dá um tanto dos teus olhares que
tanto me encantam, sorri um pouco pra mim...
-deixa eu ver que, mais que estar com os teus,
também tens um tempo pra mim...

Mas o acaso foi mais forte,
impediu que vivêssemos esses
momentos, aos quais os enamorados têm direito,
e que não se deve furtar-lhes,
porque o princípio é "sui generis" e
jamais se refaz.

Planos podem ser efetivados a qualquer
tempo, dos sonhos suprimidos
jamais se alçará o mesmo sabor de poesia.

E, outra vez a vida se faz surpreendente.
Mesmo na possibilidade de momentos agradáveis,
ela só nos traz, na maioria das vezes, aqueles que não o são.
Pra fazer com que não esqueçamos que os tais existem.

Por isso eu acredito no amor,
sim, acredito que ele não existe,
que não passa de motivo, o germe a embasar uma composição,
de palavras combinadas pelos poetas, a ensejar uma bela poesia,
ou estórias contadas por aí...

Eu acredito no amor, sim,
que na minha vida nunca existiu.

Onde está o seu coração ?

Pedaços de pessoas,
fragmentos de corpos
que em movimento a toda hora,
debaixo do sol,
passam sem o almoço.
E o vai tempo,
e o vento também.
Ah! que sensação estranha,
de ausência, de vazio.
É o momento,
a história,
regressão,
futurismo,
modernidade,
saudosismo,
simplicidade,
coração,
avião,
cabeça e chão.

Acorda irmão!
Ponha teus pés na lua
e deixe de viver em vão.

obs.:Este texto foi inspirado no texto do
João Cabral de Mello Neto, "Vida e Morte
Severina". Uma homenagem à exaustão da mão de
obra severina em terras paulistanas,
trabalho que levantou a metrópole, que lhes joga
para a periferia.

E lamentável é ver que décadas se passaram e a
situação nada mudou, a não ser para
pior, mais severinos chegaram e chegam a
São Paulo todos os dias e, pra não morrer de
fome, submetem-se a trabalhar como burros
de carga por salários miseráveis e o Poder
Público,do qual se espera uma atitude convincente,
diversa de "bolsa isso ou bolsa
aquilo" pouco ou quase nada faz.

Parabéns brasileiro, eu, você e quem mais ler isto, este é o nosso país.
Falar sobre isso é a minha dor.

MULHER

Mulher que por teu nome eu chamo
metade, inteira, sorriso, alegria e dor.

Mulher que pela luta eu vejo incansável,
fortaleza, muralha e flor.

Tens teu dia, tuas horas
recebe honras, saudações e flores.

Mostras a força ao gerar, parir e criar,
e tal se dá desde a concepção, pela vida toda.

Mostra a teus pares mulher,
que és mulher não somente
por um dia no ano,
mas, por toda a vida merece deles o respeito,
o afago, o carinho e o afeto.

Mulher, que por teu nome eu chamo,
que vida me fizeste,
mulher que por teu nome eu chamo,
que por amor me deste

VIDA, por amor.

Mulher, sim. Com muito orgulho!

Oito de março de todos os anos, dia internacional da mulher,>br> muito se fala e nada se faz.

Há anos eu vejo ser comemorado na data sobredita um dia importante.

Há anos eu vejo que nada se faz para
melhorar a condição da mulher no mundo.

Ainda se cultiva a prática do extermínio do clitóris
em tribos africanas, lógico, pra que tal órgão,
vez que mulher é só um animal reprodutor?

Ainda se cultiva o machismo, afinal mulher é
ser frágil, não precisa ganhar igual,
nem mesmo se ela for o chefe da casa,
eis que muitas vezes assume tal papel com
o abandono do marido, que, não raro a troca
por outra mais jovem, de carne mais dura, com "tudo em cima".

Não é raro vermos por aí mulheres com
algum ou os dois olhos roxos, em consequência de
"quedas no banheiro". Eu mesma, em meados de 1992
trabalhei com uma, cujo piso do banheiro devia ser de "limo puro".

É comum mulheres que apanham todos os dias de seus homens, que chegam em casa “calibrados".

Já falei um pouco das desgraças.
Agora vamos tratar das possíveis soluções.

Por que estas mulheres, vítimas da agressão
nada fazem pra mudar a própria condição?
Por que o Estado não cria um programa
decente de contenção natalina?

Não adianta falar que tem que usar camisinha
e dar-lhes cartelas de anticoncepcionais que são
ingeridos em momentos de dores de cabeça,
talvez frutos das pancadas que aquela cabeça levou.
Também não acho que o sistema chinês de "guarda-roupas"
seja o ideal, muito pelo contrário.

Educação: esta é solução.

A mulher tem também que reagir, não adianta apanhar,
ir à delegacia e depois ao chegar
ao Fórum: "... eu tenho 1200 filhos com ele,
ele parou de beber, está bom,
pondo dinheiro em casa,
não quero que o processo siga..."
e aí todo mundo perdeu tempo,
o Estado gastou desde o inquérito policial,
a pauta de audiências que é cheia,
teve mais um horário, que poderia ter
sido dispensado a crimes complexos (tráfico,
sequestro, roubo, latrocínio) desperdiçado,
e o processo, que tem um custo elevadíssimo, vai pro arquivo.

A mulher, não só hoje, mas o ano todo,
precisa tomar vergonha na cara e honrar
a condição pela qual muitas vêm lutando desde
o século passado e deixar de ser apenas uma
reles reprodutora mesmo,
deixar de existir, e passar a viver.

Mulher, seja mulher.

Flores são descartáveis...

Eu não mando flores à moda antiga.
Não sei dizer o dia todo palavras que te caem bem ao pé do ouvido.
Uso botas pra enfrentar a estrada árdua.
Não vivo de sonhos, corro atrás dos meus objetivos,
porque a vida se ganha dia-a-dia.

Não tenho o hábito de emitir cortejos constantes,
falo sobre o que sinto,
o que penso,
o que, e como quero.
E como te quero!

Meus textos pra ti são simples,
desprovidos de rimas, métricas, texturas,
expressam sentimentos, vez que não sei forjar momentos,
conto apenas aqueles que verdadeiramente existem.

Sou, já que não sei dissimular,
como as flores, pedaço descartável
de uma sociedade hipócrita que fala de amor,
mas prima pela dor,
pra dizer do outro, do mal que lhe foi feito.

Não me vejo aqui.
Não há encaixe que me prenda
a esta pseudo e nebulosa realidade,
onde tudo que se vê são palavras que se perdem no vento,
castelos de areia que, levados pelas ondas,
tornam-se, como outrora,
tão somente o que a vida lhes reservou: grãos;
promessas que restringem-se a
denotar fatos que jamais se concretizarão.

Não, não me vejo aqui!
Definitivamente, não sou deste fragmento de tempo,
dessa gente esquisita que não vive, apenas existe.

Um pouco das estranhas de São Paulo

Sampa como te vejo hoje...
Caminho por tuas veias centrais
e quantos diversos de mim
vejo nas tuas entranhas...

Tamanhas ventanas que a todos recebe, alimentas,
e ganhas, permites passagens e te renovas.

E o caminho prossegue.
E a estrada é longa.

Eu que Paulista sou de corpo, alma, coração e fixação também,
mudei meus rumos,
eu que não corto o cordão umbilical,
hoje estiquei-lhe um tanto as pontas
e fui parar na República, seus arredores,
o velho e bom Arouche.

E que dia lindo de ti eu vi,
senti, absorvi.
Era sol que havia lá fora,
era o calor que animava toda a gente
e impulsionava o teu vai-e-vem.

Vi os artesãos vendendo em dólar
e recebendo só o real,
que perto daquele, é pura fantasia,
mas é que o que nos põe na mesa o pano do dia.

Vi o arco-íris em que te transformas
minha cara,
cor a cor, desde as primárias até
a que mais me prende a ti, o carmim,
o calor da cor, da cor que é pura cor.

Tomei meu ar,
me refiz
e cá novamente estou a cantar-te em
versos que tu fazes emanar de mim.

Divagar sobre ti São Paulo
é um exercício de vida,
enquanto estiver por fazê-lo
sei que em mim não há apenas um músculo
que pulsa, mas uma vida a ti dedicada.

São Paulo é o meu canto !
Introdução

Minha história com São Paulo é simples, bonita.
Foi escrita ao longo dos meus 32, quase 33 anos...
Nasci em Ribeirão Preto-SP, aos 02.1.71., onde, claro,
tomei muito chopp no Pinguim.
Tenho uma foto, na qual eu tinha alguns meses de vida...
vê-se ao fundo o Elevado Costa e Silva e os prédios que o rodeiam.
Aquilo era um presságio...
Capítulo I - 1979

Minha primeira experiência em São Paulo se deu nas férias escolares de 1979.
Fui recebida para uma temporada em casa de parentes que aqui residem até os dias de hoje.
Imaginem... uma criança caipirinha no meio dessa selva de pedra, carro, gente correndo,
trem lotado...
Feliz porque havia ido na, hoje extinta, Cidade da Criança, visto a água que corria pra
cima,
o labirinto..., a beleza exacerbada do, também extinto, Simba Safári... (Como é bom ter
memória, já que eu não tinha máquina de fotografia ou filmadora!), voltei quebrada para a
minha cidade...
"-São Paulo, ah! tá ! Hum... Hum... Hum...Nunca mais..."
Retomei minha rotina de criança, cresci, passei pela adolescência,
iniciei minha carreira trabalhando para o Estado de São Paulo...
Capítulo II - 1989

Precisei comparecer na Capital, para tomar posse em meu primeiro cargo público.
Lembro-me como se fosse hoje... eu de frente para a Consolação, ao final daquele dia,
por volta de umas 18hs vendo aqueles ônibus que por ali trafegavam em direção ao centro,
apinhados de passageiros, inclusive alguns meio que pendurados nas portas...
Depois caminhada até a Sé, metrô até o terminal do Tietê e mais gente sobre gente...
E eu em meio a tanta gente, quase me perdi, da gente que voltaria comigo pro interior.
E outra vez eu pensei "que horror, jamais moraria aqui"...
Agarrada à minha mochila entrei no "cometão" e voltei pro "sertão"...

Capítulo III - Um ano depois...,

Outro concurso e tô eu em São Paulo de novo...
No mesmo lugar na rua da Consolação,
tomando posse...
O restante foi igual, até mesmo a parte do "cometão com destino ao sertão"...
E por lá fiquei e fui vivendo...

Capítulo IV - O início da fixação

Em meados de 97, a Mara, amiga-irmã, presente desta vida,
mudou-se para São Paulo-SP, ao mesmo tempo que, com o advento da internet, arrumei um "cacho" que vivia aqui e para cá passei a vir a cada quinze dias.
Me hospedava na casa da Mara, muito bem localizada para quem vem de fora,
com disposição para andar, fotografar, conhecer cafés, "points"... (a região da Paulista,
onde me fixei) e era só alegria.
Fui acostumando e pegando gosto, e ficava sempre mais e mais...
E já não sentia vontade de voltar para Ribeirão.
O rolo se foi e o amor por Sampa se consolidou.
Eu vinha de moto, era perigoso, mas me sentia feliz...
Unia duas coisas que muito prazer me davam viajar de moto + São Paulo.
Calculando recentemente, em cerca de oito meses de viagem, entre
Ribeirão Preto e Sampa, foram aproximadamente, 17.000 Km, umas 56 vindas e voltas...
Minha moto conhecia cada centímetro, cada buraco, da Anhanguera e da Bandeirantes.

Capítulo V - Fixar minha vida em São Paulo foi inevitável, questão de sobrevivência !

Desde setembro de 1998, estou radicada na Capital paulista, cidade que me recebeu de
braços abertos e a qual amo demais.
Aqui encontrei sentido para a minha vida, minhas filinhas “caninis”, que são a Hanna e a
Ônix, a irmã, da qual já falei, que é a Mara, descobri capacidades, dons, talentos,
até música eu compus...
Deixei para trás vícios e adotei virtudes,
sou feliz aqui e, embora seja Palmeiras, amo São Paulo.
Não saberia viver em outro lugar, aqui é o centro da terra.
Um canto especial do mundo, que de tão especial, caminhando por suas ruas encontramos com
pessoas de todos os lugares do mundo.
O maior mix étnico-cultural de São Paulo é a Avenida Paulista.
Já andou por lá num domingo à tarde ?
Não ?
Então vamos parar de perder tempo !
Comece na Praça Osvaldo Cruz,
vá passo-a-passo admirando os edifícios mais antigos, o prédio do Hospital Santa Catarina,
a Casa das Rosas...
Tome um café no "Fran´s"..., que peca pelo atendimento, mas prima pela qualidade.
Observe a presença do Capital que a faz carregar a alcunha de "centro financeiro",
estampado na beleza arquitetônica dos bancos e prédios comerciais e empresariais,
além de alguns poucoas residenciais.
Prossiga sua caminhada e vá, ao longo de toda ela, observando a arquitetura, o movimento,
o vai-e-vem, os bichos paulistanos...
Quem são estes ?
Sou eu, você, e todos aqueles que por ali passam, vivem, trocam conosco sua cultura,
suas idéias...
Ajudam a cidade a crescer e a ser o que é, a maior cidade da América Latina.
E, quando chegar na Consolação, vire-se lentamente, e observe a beleza da paisagem
da qual agora você faz parte.

Gritos no escuro !

Vaguei por muitos anos,
emiti gritos no escuro,
nunca escutados.

Segui trilhas infinitas, dei com nebulosas, neblinas grey-neon,
senti meus pés tocados pelas águas, impulsionadas pela maré
alta.

Fechei os olhos e pude
ver toda a minha história,
desde a mais tenra infância até os dias de...

Dias de hoje ?
Dias todos que vivi, cada um deles até...
Até quando?
Não notava meu passado mais recente,
não havia registro em minha memória dos meus últimos dias.
Olhando o horizonte, percebi que ele se
encerra onde nasce o céu, onde cresce o sol,
não vi a luz, não vi o dia, não vi o tempo,
nem mesmo o chão sob os meus pés.
A neblina insistia em me rodear,
esteve comigo por toda a escalada,
e também quando desci
ao fundo da terra.
Caminhava em vão,
não ia de "onde" a lugar algum,
cada passo que dava à frente,
somavam três para trás...
Gritei, gritei,
pedi ajuda,
era uma longa noite sem fim,
gritei no escuro, emiti gemidos de dor,
manifestações nunca, sequer recebidas por alguém.
Hoje percebo que a minha estória
teve fim...
Ceifaram-me o tempo, o espaço, os dias sobre a terra,
Ceifaram-me a vida,
que encerrou-se num abismo, cercado de nada,
coberto de vento,
onde, meu corpo, inerte, permanece até os dias de hoje.

BEIJO

Um olhar,
um toque,
é o tempo.

Um momento,
o sentido,
é o beijo.

E depois deste,
vem outro...
E as ponderações de outrora
perderam-se em meio ao instinto,
que uniu olhares, lábios
e fez ascender em mim
um sentimento inesperado.

Pensamentos que se perdem
na distância onde estás.
Momentos que não voltam.
Tempo que refaz.

Beijo oportuno, viável ?
Beijo pode ser assim classificado,
já que emanado de um sentimento ?

Quem saberá, se os olhos do coração
são como as pétalas de uma
begônia vermelha ?

Sonhos

O sonho não é o único
e não veio a passeio.
O sonho é nosso, meu e seu,
cada qual em sua individualidade.
Mas, individualmente juntos.

O sonho é eterno e se eterniza a
cada dia em nossos corações.
Passam os dias,
cresce o sentimento e,
parceiro dele,
vem o desejo de juntar-me a ti,
beijo, pele.
Desejo de sentir o teu afago
e o teu calor.
Desejo de me fartar em seu amor.
Desejo de me acabar e adormecer
eternamente em seus braços.

F. 05.11.97

obs.: eu não tenho por hábito mudar textos antigos que encontro ao publicá-los, por isso
não reparem, mas tenho noção, eu escrevia mal, muito mal.

Esse eu encontrei numa agenda e resolvi "fazê-lo eterno" na internet, junto com os demais.

Sangue: vida, ironia...

Silêncio... ausência de palavras,
pensamentos insanos
em noites insones.

Sangue... se presente - vida,
se ausente - morte.

Ferida... dor lantente,
em que a vertente
é sempre a saída
para outra dor,
para o sangue,
que corre fervente,
e escorre intermitente.

Silêncio, sangue, dor, ferida, insônia.
Terapia do arrepio,
colapso do medo,
relaxamento do sofrer,
existe ?
se sim - elástico;
se não - explosão.

Sangue... Insônia...
Dor...
É o que restou...