FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog
A bagagem

Quando partir levarei só o essencial:
- As partituras e o violão;
- "Recomeçar", "O sobrevivente", "Contos Plausíveis",
e algo mais de Drummond;
- "Os sertões" para saber por onde andar e com quem falar.
E também porque a viagem é longa.
Algumas mudas de roupas e itens de higiene.
A grande companheira de retratos e muitos rolos de filme quatrocentos.
Os fraternais abraços dos amigos.
A certeza de que três ou quatro pessoas me amaram.
Privilégio de poucos, considerando que muitos passam pela vida sem saber amor e amar.
As lembranças dos bons e maus momentos aqui vividos.
Toda a cultura que pude adquirir.
O gosto pelas artes, em especial música, poesia e pintura.
E toda a beleza da literatura.
O carinho pelo artesanato de rua.
Meus defeitos e minhas qualidades,
frutos desta forte e imutável personalidade.
Que me agrada.
Levo comigo o prazer de jamais ter permitido que me manipulassem
e a alegria de saber que a vida é assim, boa de se viver.
E, por fim, a certeza de que cada passo naquelas
estradas será o único e o último.
Caminhos que seguirei sem olhar pra trás.
Sem volta, pois na bagagem deste errante,
viajante herdeiro de um sonho distante,
sem pressa, ouvindo a ária cantante,
vendo as trocas entre sol e lua,
cabe de tudo, mas lhe basta o sorriso.


São Paulo, 01/08/2004 - F.H.

Obs.: Post anterior: o poema "Não Esqueço" não é de minha autoria. Originou-se de um trabalho em conjunto, a partir do qual gerou-se a idéia de publicar ambos aqui. Mantém-se a reserva quanto à autoria, tal qual feito na frase que dá início ao meu poema "Esqueça", atendendo à pedido.
.Os posts seguintes guardam relação, qual a sua opinião? Têm a mesma autoria?

Esqueça

"Sinto-me só, mas preciso ficar um pouco distante, agora.
Sinto muito..." (autoria reservada)



A ordem aqui é que tudo continue
no mesmo ritmo de antes.
Nada vai mudar porque você não está.
Porque, ou por qualquer outro porque, também
previsível e cabível, faltou-lhe coragem pra enfrentar
o que agora vê no espelho,
pra viver o que sente.
Porque o novo estranha, assusta e espanta.
Medo me dá a fuga.
Porque quando opto por ela,
escolho não saber como teria sido.
E eu já passei da idade, há muito.
Insere-se nesta história a embasar
seus atos um grande contexto,
que existe desde sempre, a sua própria
vida e o que a margeia.
Pertinências à parte, melhor que esqueça.
Ouvir o coração é teatro.


Não Esqueço

Razões, as tive todas para me ocultar.
Mas nunca fiz teatro, além de cumprir o trato
de darmos tempo à razão.
Não sabia ainda que não pode o coração ficar
alheio à decisão de amar, quando vibra o peito de emoção
simplesmente ao ouvir sua voz,
com todos os seus “erres” que tanto me fazem rir.
Não poderia deixar o medo de sucumbir,
fenecer e se entregar,
diante do calor que não vai passar,
ainda que se passem incontáveis dias,
horas, minutos e segundos,
pois o tempo não vai voltar
para o instante imediatamente anterior
àquele em que você me arrebatou os sentidos,
com seu “amor perfeito”,
dizendo, meio sem jeito,
que eu é que a arrebatava.


Sobre flores e amores

Hoje amanheci com a face denotando que ainda era ontem.
A meu gosto, ou contra, manhã bela se fez.
Frio, céu azul, sol alto, coração triste e vazio.
Bela manhã que, mais tarde, por amor há de se entregar à noite.
Amor intenso, luz:lua e sol.
Agitada, caminhei de um a outro lado da casa,
sentindo as trilhas mais curtas a cada passo.
Não encontrei algo palpável.
Seus olhos não estavam lá.
Os contos já não eram tão plausíveis.
Pouco se faz te ver nas lembranças que guardo na memória.
Quero-te, mais que ao toque, ver, sentir.
Os sonhos nos levariam ao encontro, que
aos olhos do mundo quebrariam o encanto.
Flores levadas pelo vento do outono,
esquecidas no frio do inverno,
com ânsia de florescer na primavera, por natureza bela.
As horas seguem, vinte e quatro e mais se foram, poucas.
Ouso transpor com o olhar a janela,
buscando seu sorriso, uma tela.
Foi sonho, de quem sonha de olhos abertos.
E perde dos pés o chão.
Notei que os pássaros grandes faziam revoadas em busca de alimentos,
enquanto os pequenos, assentados nos galhos mais altos,
ouviam ao longe um violino,
que 'cantava' amor.
Amor de estação, assim meio sem sensação de ser.
Que não se fez amor, por pavor de quem sentia,
por medo de quem o tinha aconchegado no coração,
pulsando no peito.
Mas, mais vivo que a flor era, mais que amor de primavera.
Porque amor era.
Retalhos  Era sábado

Retalhos

Era sábado, um dia de setembro.
Enquanto Suzy costurava
Maria reparava
e Ana os retalhos juntava.

Os dias passavam.
Semanas entravam, meses findavam.
Suzy alinhavava,
Maria observava
e Ana os retalhos guardava.

Chegou novembro
Suzy estudava e Maria descansava
E, ao que me lembro, Ana dos retalhos cuidava..

Nos dias de dezembro, a estória se findou.
Suzy doutora se formou usando o vestido feito por Ana, de retalhos.
E nas costuras, Maria assumiu os trabalhos.

Com o coração
Caros amigos e amigas blogueiras e visitantes

Visitantes, nesta semana estou fazendo uma pequena alteração no Fragmentos, na forma de publicar e conto com vossas ajudas pra que eu alcance meu intento.
Vou publicar um poema em duas versões:
a versão inicial, feita num momento de inspiração, num ambiente diferente do de costume, um bar na Brigadeiro, em São Paulo, onde parei para um lanche rápido. A caneta foi emprestada pelo atendente e o papel, um guardanapo de papel;
e a versão final, já em casa, pensando sobre um pouco dos padrões (ritmo, pulsação e vibração)e tentando aplicá-los.


Gostaria que aqueles(as) que emitirem comentários, pudessem fazer uma breve avaliação, dizer de qual mais gostaram e por quê? Valeu pessoal! Abraços!

Vamos lá:

Versão inicial:


Com o coração

Hoje acordei calado.
Deixei as flores de lado.
Fixei o olhar em um quadro.
Derramei lágrimas de ilusão.
Por ter vivido um conto de paixão.
Revirei armários pra fugir da solidão.
E fui só...
Com o coração.


A versão final:

Com o coração

Hoje acordei calado e só.
Já sem ouvir os acordes que gosto, em Dó.
Deixei o sorriso e as flores de lado.
Lá fora, alto e ardente, o sol.
Fixei meu olhar em um quadro.
Nele a figura de um navio que partia.
Deixei rolar lágrimas de ilusão.
Naquele momento me vi tomado de compaixão por mim, quase dó.
Por ter vivido um conto de paixão.
Por acreditar em estórias, hoje puro pó, exageros de nó.
Revirei armários pra fugir da solidão.
Notei que não havia o que levar.
E fui só...
Caminhando no tempo.
Com o coração.


OBS.: AQUI HÁ UM ESPAÇO PARA O SEU TEXTO. ESTOU ESPERANDO!