FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Amor era...

Observando as fotos posso ver que o meu sorriso não existe longe de você;
Que jamais serei sem você;
Que o tempo leva a vida e que as lembranças permanecem;
Que nada que possa acontecer me fará esquecer você.

A lua hoje está menor, mais triste que antes,
Mas por você ainda existe,
porque não há razão que fará calar do coração o amor que nele se criou quando meus olhos
assentaram-se nos seus.

Porque, afinal, não há dor que me faça esquecer do seu amor e sequer, da sua boca o sabor.
Porque andar só é a certeza que vejo ao
determinar diante do olhar a linha do horizonte.
E ainda assim, terá valido à pena, porque saber que amor era faz a certeza plena.

São Paulo, 27.09.2004,
Fernanda Hanna

 

BLOG DA SEMANA:  CANTINHO DA POESIA - confira!

 

Convite: venham conhecer o site dos Anjos Caídos, do qual faço parte e vejam nossos trabalhos, basta clicar na figura que segue:

 

 

Flores Raras

A meia-noite eu cheguei no jardim e lá nada havia.
As flores recolhidas, os pássaros silentes.
Observando tudo ao redor, temi falar da gente.
Talvez por não haver quem escutasse.
Nem mesmo o jardineiro andava por lá naquele momento.
Olhei o céu e as estrelas, sempre brilhantes, notei que já era setembro, e as flores ainda dormiam abraçadas em seus ramos, recostadas em suas raízes, como se pequenos ninhos fossem.
Neste instante, me dei conta da beleza que há em contemplar outra forma de vida, ao luar.
E eu estava lá.
Lá me fiz e lá estou e de lá não há quem me possa tirar.
Andei só por muito tempo entre os canteiros, o que me fez sentir parte daquele lugar.
Finquei meus pés à terra, criei raízes e brotei flor.
Flor-só, sem pétalas.
Flor-só, sem pólen.
E eu estava lá, mas você não.
Flor-só, sem coração.
Flor-só, com dor de amor.
E assim seguiam-se os dias e as noites, e eu flor-só, sem você meu amor.
Todas as manhãs o jardineiro, cumprindo suas funções quase como quem forma, gera e pare, nos mantinha vivas, eu e as outras flores.
Me dedicava a maior parte de seu tempo e atenção, sem que eu soubesse o porquê.
Tratava-me como a primogênita-pródiga, tal qual se tencionasse que eu jamais desprendesse daquelas terras as minhas raízes, já tão fortes e fincadas. Como a adaga que, em fogo lançada atinge o coração, fazendo estanque o sangue que dele jorraria, tornando à terra, à origem da própria vida, a vida.
Os tempos se foram e ali, enlaçada em meu canto do jardim, vi chegar uma nova estação, sem sombra de verão.
No inverno eu compreendi que todos os dias o jardineiro ali vinha a fim de me ouvir dizer de você e deixar de ser só flor-só e ser flor com amor, cravada, não mais à terra, mas à vida, porque flor só com amor, sem dor.
Porque flor completa, com pólen e pétala. Porque flor em raiz viva, à luz da lua, pronta a abraçar outra flor que há de chegar em uma nova estação, ainda antes, mas com estrelas e presentes de verão.

Aracajú, 17.09.2004, Fernanda Hanna

BLOG DA SEMANA:

A partir deste post sempre será colocado em destaque neste espaço o link para um blog amigo, eleito por mim o blog da semana, dando início, convido-os a conhecerem o CAFÉ COM LETRAS.  

Divagando

Um caso de introspecção:
Uma rara crise de coração.
A mente convergente que olha ao lado e diz: não!
Tempos antigos, templos escuros, sonhos possíveis, amores passíveis
de perpetuação ou dissolução?
A quem cabe escolher, que escolha.
E o tempo virá e a vida dirá.
E não há quem olhe e não veja.
A certeza estampada junto ao sangue vertente e quente da presa que jaz rente a parede.
Quem sonhou sabe.
Quem tem olhos verá e a vida trará.
E o sol, a testemunha, fará jura em vão.
Dará um abraço irmão na certeza de que levará meio pedaço de pão.
Cumpre-se o ato.
Atores deixam o palco.
Fome.
Sede.
Saudade, arrastão.
Cumprida se faz a pena de milhão.
Sabendo-se que do quinhão, rei se fez o detentor do tostão.
Sem sol.
Sem céu.
Tardia, à luz da lua, a fuga se fez cruel.


Aracaju, 13.09.2004, F.H.

Céu de Verão

É madrugada.
Os olhos no relógio mostram que a vida segue.
E eu aqui a falar.
Mesmo sem saber direito por onde começar.
É certo que a minha vida tem sido um grande picadeiro.
E bem lá ao centro estou de nariz vermelho, sorrindo como posso,
levando alegria a quem depois me aplaude.
Porque trabalhei bem, cumpri sem hesitar meu papel de palhaço.
Durante anos alimentei sonhos.
E na passagem das luzes e ocasos do sol,
a cada queda fui percebendo que eram mesmo sonhos.
Só sonhos.
E agora, o coração já não bate.
Só apanha.
E espera.
O tempo de outra era.
Era de parar.
Parar de acreditar que tudo vai mudar.
Que alguma novidade há de chegar.
O sorriso agora trêmulo esconde as lágrimas que
insistem em rolar.
Contornam a face de outra forma, quedando pelos lados.
Fora do alvo de quem olha.
O frio de setembro vem dizer que o inverno vai embora.
A primavera trará as cores e o aroma que emana vida.
Das flores.
E no céu do verão hei de encontrar o caminho.
O caminho que me levará a quem há me aquietar o coração.