FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Pequenas considerações
                                         
Fernanda Hanna

Prefiro quedar silente, se percebo o jogo indecente.
Desgosto a troca desastrosa de palavras que ofuscam a mente, sem explicação qualquer.
Vejo deplorável a concorrência que assim se instala, porque desleal.
Por denotar que a sustenta, em lugar da grandeza, em meio ao asco, a destreza.
Não vou longe se não é certa a meta.
Não vivo de ilusões, nem mesmo de restos ou tostões.
A embasar minhas palavras, a fonte:
Observar, sentir, cheirar, usar todos os sentidos,
mas não sem racionalizar, porque falo de convicções, fruto do que vejo e vivo.
Sou como sou porque me permito ser assim e principalmente porque me aceito como sou.
Dissipar a vida por meio das palavras é semelhante ao trabalho do pintor,
que forja em painéis as cenas que protagonizamos diariamente, a céu aberto, sem nuvem ou véu,
diante de seus olhos e da vida.
De rosa em botão eu já não falo não.
Também não faço pensar em grão.
Porque o grão é próximo do chão: atirado à terra, germina já sabendo onde termina.
E porque pensar é liberdade individual, da qual não me desvinculo jamais.

São Paulo, 28.10.2004

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BLOG DA SEMANA: DANI DO AVESSO, confiram!!!

OUTRA NOITE                                                     FERNANDA HANNA

Outra noite cai na capital das pedras e eu aqui nesta solidão imensa.
Me dando conta de que nem tudo é como eu preciso ou como deveria.
As pessoas não são como deveriam tampouco eu.
Esperar é um verbo que eu não sei conjugar, que dirá viver.
Não o conjungo nem eu primeira, nem em segunda pessoa.
Não vim aqui pra isso.
Me familiarizo mais com ser e estar, ambos na primeira do plural.
Todos os verbos so me servem se forem ditos nesta pessoa.
Demais disso, é intransigência demais, abandono.
O silêncio ensurdece e cega.
Não consigo me manter neste ambiente.
Porque gosto de ouvir e ver, ser e estar com quem amo.

BLOG DA SEMANA: MIL SENTIMENTOS Este blog é escrito por uma amiga querida, uma garotinha de oito anos, chamada Nathalia, uma grande revelação na arte de poetar, uma promessa para o futuro. Confiram e comentem!

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Velas                                                           Fernanda Hanna

Por que me abster de falar das flores, se olhando
ao redor, vejo-as colorindo os céus com seus tons inigualáveis, vertendo seu
brilho nas faces e olhos humanos?

Jamais o faria.

Não, não poderia!

Rodei mundo, vi estrelas, aquarelas encantadas, mas
jamais deixou de estar presente o aroma de uma flor, nos versos deste andante  trovador.

Fiz cantigas, falei de amor, declamei meus versos a uma bela dona, que me ouvia de sua janela.

Tranquei portas, acendi a lareira e uma vela.

Porque à luz de velas o pintor se entrega às tintas  e às telas.

Conta estórias antigas de vilas velhas.

O andarilho relembra as primeiras ruelas.

E eu...

Um livro às mãos, estendido na cadeira de balanço da varanda.

E sob o olhar da lua, pude ver que todos os tempos distantes se tornam presentes, quando falam , silentes, as vozes de todas as gentes.

E eu, ali, em repouso constante, lembrando de resquícios de uma vida errante, encontrando no baú muitas estórias não vividas, outras não contadas, lugares não visitados, outros adotados como morada, pessoas que vieram e se foram, embates, beijos e saudades...

São Paulo, 20.10.2004

Faltam poemas? Não... um pouco do meu ponto fraco. 

Garganta

Minha garganta estranha quando não te vejo

Me vem um desejo doido de gritar

Minha garganta arranha a tinta e os azulejos

Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar

Vem a madrugada perturbar teu sono

Como um cão sem dono me ponho a ladrar

Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso

Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar

Sei que não sou santa, as vezes vou na cara dura

Às vezes ajo com candura pra te conquistar

Mas não sou beata, me criei na rua

E não mudo minha postura só pra te agradar

 Vim parar nessa cidade, por força das circunstâncias

Sou assim desde criança, me criei meio sem lar

Aprendi a me virar sozinha, e se eu tô te dando linha é pra depois te ahr....

Aprendi a me virar sozinha e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar

Composta por Totonho Villeroy.

Perfeitamente cantada e interpretada por Ana Carolina, mesmo sem saber, pra mim.

Hoje, mais uma vez assisti meu dvd Estampado da Ana Carolina e mais uma vez me deliciei ouvindo a maravilha de apresentação no Largo da Carioca. Extremo capricho e bom gosto na escolha do repertório. Ampla interação com o público. Uma Ana Carolina como eu acredito que sempre deveria ter sido. Sorridente, simpática, falante. O que a torna ainda mais bonita. Sim, a mineira é dona de uma beleza não explorada, mas forte, presente, latente. Basta observar com cuidado as sobrancelhas, os olhos e olhares, o belo desenho do nariz, a boca, que se apresenta com lábios carnudos, dentes brancos, sorriso completo. Tudo muito bem protegido por uma linda cabeleira,  ora ondulada, ora meio cacheada, os adereços de uma mente privilegiada. Enfim, uma musicista completa e bela, que vale à pena receber a atenção do público, ao menos daqueles que têm bom gosto para compreender a intenção de Elevador, o recado de Encostar na tua, a belíssima versão Quem de nós dois e o jogo de Garganta, entre outras músicas não tão tocadas, mas que dão o recado. Bom, não me faltam poemas para colocar, mas hoje me deu vontade de mudar a cara do blog, embora não seja de música, neste post. Se tenho um ponto fraco na vida, agora é de conhecimeto público, embora já tenha falado dela no Arpejos: a música de Ana Carolina. Já vi e revi muitas vezes este dvd e não me canso. A cada vez ouço ou vejo algo novo, que mais me encanta. No próximo post, quem sabe um poema. Abraços e boa semana a todos.

BLOG DA VEZ: NÉCO ROCK

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Das razões para não amar um poeta
 
Sim, há razões para não amar um poeta.
Deve-se considerar que o poeta, mais que qualquer outro ser, vem ao mundo
com destino reservado, vem poeta.
Vem pra ser aquele que conhecerá todos os segredos da alma humana, requisito
Imprescindível para poetar sobre os sonhos, anseios, amores, suscetibilidades, dores
e demais devaneios e divagações que os seres humano possam ter.
E só para escrever sobre eles.
Jamais para acalentá-los, mesmo que se passem consigo.
Ao poeta já se investe a função daquele que "tudo sabe", porque escreve.
Por mais belo e imbuído de inspiração que seja um poema, escrito em um momento
que a alma aflorou ao ver a lua nova, as mãos que conduziram a pena, desenhando
sobre o papel os versos daquele encontro, são as mesmas que todas as manhãs unem-se, num esforço quase que ritualístico, juntando água para lavar a face.
O poeta nasce poeta e perpetua-se poeta, mas por trás de si há a arcá-lo um ser humano.
Sim, um ser humano, como outro qualquer, que ri, chora, sente, pensa, sofre, ama, padece,
caminha pela vida, tal qual seus pares.
Diverso do que se imagina, o poeta não atinge o nirvana, quiça em fase póstuma.
Assim, ao ver a beleza de um poema, não é imaginando o momento, divagando sobre as razões para ter sido escrito, que se saberá do poeta motivo para amá-lo.
Não há razão para amar o poeta.
O poeta é para ser lido e absorvido.
E depois dissipado.
Não é correto apaixonar-se pelo poeta.
É um risco, de decepção e queda para ambas as partes.
Talvez se possa encontrar os argumentos para amar o ser humano que é aquele poeta, separando-os, vez que o poeta tudo é e tudo pode, enquanto que o outro...
É ser humano, com personalidade, temperamento, defeitos, qualidades,
sorriso na face, brilho nos olhos e coração aberto, pronto a dizer: sou como sou.
Sou poeta por deliberação, gosto de falar do mundo à aflição, com a pena anotar o que penso no papel, esta é a minha realização.
Mas na razão te amo com o meu coração, como você é.
Porque jamais te idealizei, eu apenas te quis e a vida te trouxe para mim.
Assim, como você é.
E eu te amei.
 
(E eu te amo...)
 
Dedicado ao meu amor.
 
São Paulo, 07.10.2004,
Fernanda Hanna

BLOG DA SEMANA BELIEVE IN LIFE

 

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