FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

As partituras da nossa canção (que não acabou)

 

A canção foi interrompida com a chegada da noite.

E não houve quem mudasse a nossa condição.

O vento que entrou pela fresta da janela lançou as partituras ao chão e eu soube dos seus segredos.

No esquecimento nos perdemos de nós porque em nossas faces estourava brilhando a intensa e densa escuridão.

Senti as amarras e impossibilidades próprias da posição.

Alguns passos, uma queda.

Fui à lama; impedida que estava de ver, restou-me sentir e tocar.

Não.

Não toquei nossa canção.

Eu não sabia o refrão.

Alguns passos e tropecei.

No mais absoluto desconhecido o toque mostrou-me que não havia mais para onde ir.

Esperava-me num canto um banco e ali sentei-me e permaneci inerte.

Lembrei as notas e harmonias que não pude ouvir.

Pensei nos erros que me conduziram aquele lugar e por quanto tempo haveria de esperar (te esperar?!).

E lá fiquei sem saber se a canção voltaria a tocar.

De você, lembrei das lágrimas (que causei?!) e mais... não a vi.

O escuro me fez lembrar do sorriso e do olhar.

Ah! O brilho do seu olhar.

Alegre como a nota lá em tom maior, numa cantiga de roda.

Um pouco mais e quase pude ouvir a sua voz... terna, doce, sussurando-me pequenas confissões.

Aquelas que me envaidecem.

E ora vejo e sinto que em pensamento a saudade latente mantém a certeza constante:

-você é o amor da minha vida e assim, de forma sutil, nestas palavras ‘arrebatas’ ainda os meus sentidos.

Não se vá, ouça a nossa canção.

E assim para sempre há de ser.

Porque nosso encontro não é acaso.

Não é em vão e você sabe disso. 

"Nem tudo o que nos aborrece e faz sofrer é, forçosamente, um mal.

Quando os irmãos de José o venderam, o que parecia um mal tornou-se maravilhoso bem, pois lhe deram oportunidade de chegar a ser governador do Egito.

Tenha confiança no Pai, que sabe extrair o bem daquilo que nos parece um mal.

Não se desespere.

Confie e siga à frente."

Página 161 de Minutos de Sabedoria.

Cultura: pra quem vai ficar em São Paulo no final de semana, amanhã, dia 29.01, o violonista Durval Ferreira lança seu primeiro disco no Sesc Pompéia.

Trata-se de músico veterano da Bossa Nova, co-autor de canções como "Estamos aí" e "Tristeza de nós dois".

Ingressos a preços populares que variam de R$ 3,00 a R$ 10,00, no teatro.

 

Obs.: blog em processo de remodelação.

Por um fio

 

                                                                                                                                                                                                                   Fernanda Hanna

 

Por um fio é a escassez de ar presente no tempo em que se sente a pressão feroz da indócil mordaça.

Na corda bamba do equilibrista cego que dança flamenco e samba se vê a possibilidade de que a vida é um instante recheado de saudade de um tempo presente e distante.

A chama que queima insana.

O fogo que ardente sangra sem sombra ou vertente.

A certeza que se foi pelo ralo da intransigência presente se faz no instante em que em n’outro (instante) tudo se perde.

Porque a fagulha lancinante presente na fogueira em que me colocaste feriu a fundo meu olhar, extirpando-me a retina.

E levou tudo de mim.

Levou-me de mim.

Sendo certo que fiquei porque a corda bamba é minha e jamais a deixarei.

Porque a balança é tua e levarás contigo a certeza do desequilíbrio e do imperfeito que deixaste na estória que escreveste a lápis em papel rascunho.

E o tempo...

Há de apagar.

 

São Paulo, 30.11.2004

Indicações:

I - Fica o convite aqui para que vocês visitem o BELIEVE IN LIFE ,

blog da amiga Blue que está apresentando São Paulo na véspera

de seu aniversário de uma forma muito poética e agradável.

II - E também o Néco Rock está completando um ano de atividades!

Com um somzaço de fundo maravilhoso, certamente o bom gosto da amiga Lu!

III - O Café com letras  da amiga Cinthia Bueno traz um poema maravilhoso tecendo

considerações sobre as relações no mundo virtual em

contrapartida com o mundo real.

IV - O Cantinho da poesia da Mara S. segue com seu processo de poemas e textos bem subjetivos, culminando sempre com mensagens de crescimento pessoal positivas.

Vale a pena conferir!


É mágoa

(Ana Carolina)

É mágoa, vou dizendo de antemão
Se eu encontrar com você
Tô com três pedras na mão
Eu só queria distância da nossa distância
Saí por aí procurando uma contramão

Acabei chegando na sua rua
Na dúvida qual era sua janela
Lembrei que era pra cada um ficar na sua
Mas é que até a minha solidão tava na dela

Atirei uma pedra na sua janela
E logo correndo me arrependi
Foi o medo de te acertar
Mas era pra te acertar
E disso eu quase me esqueci

Atirei outra pedra na sua janela
Uma que não fez o menor ruído
Não quebrou, não rachou, não deu em nada
E eu pensei, talvez você já tenha me esquecido

Eu só não consegui foi te acertar o coração
Por que eu já era o alvo
De tanto que eu tinha sofrido
Aí nem precisava mais de pedra
A minha raiva quase transpassa
A espessura do seu vidro

É mágoa, o que eu choro é água com sal
Se der um vento é maremoto
Se eu for embora, não sou mais eu
Água de torneira não volta
E eu vou embora
Adeus.

Por um fio

 

                                                                                                                                                                                                                   Fernanda Hanna

 

Por um fio é a escassez de ar presente no tempo em que se sente a pressão feroz da indócil mordaça.

Na corda bamba do equilibrista cego que dança flamenco e samba se vê a possibilidade de que a vida é um instante recheado de saudade de um tempo presente e distante.

A chama que queima insana.

O fogo que ardente sangra sem sombra ou vertente.

A certeza que se foi pelo ralo da intransigência presente se faz no instante em que em n’outro (instante) tudo se perde.

Porque a fagulha lancinante presente na fogueira em que me colocaste feriu a fundo meu olhar, extirpando-me a retina.

E levou tudo de mim.

Levou-me de mim.

Sendo certo que fiquei porque a corda bamba é minha e jamais a deixarei.

Porque a balança é tua e levarás contigo a certeza do desequilíbrio e do imperfeito que deixaste na estória que escreveste a lápis em papel rascunho.

E o tempo...

Há de apagar.

 

São Paulo, 30.11.2004

"Tenho pensamentos que, se pudesse revelá-los e fazê-los viver,
acrescentariam nova luminosidade às estrelas, nova beleza ao
mundo e maior amor ao coração dos homens."
(Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo")

Sangrando

 

                                                           Fernanda Hanna

 

Quando convive com a diversidade o Homem se

torna indefeso à visão geral.

Não dissimula e o tema lhe persuade.

É também quando se torna possível conhecer-lhe a essência e conceitos.

Há um misto de acontecimentos que poderão culminar em ganhos,

bem ainda perdas e danos.

É quando o forte se destaca e o fraco se entrega (se rende).

Sucumbe ao espúrio desejo do algoz.

Sonhos vertem-se em pesadelos constantes e enoja-se com

o que sabe apreciar (amar).

E o nega.

A mente inquieta sufoca e cega.

E com artifícios vis maquia a realidade escondendo a

razão e o sentimento em vestes abnegadas.

A covardia instalada remete ao sepulcro impedindo

quaisquer expectativas ou vertentes de atos decentes.

A razão cega escolhe o alvo e erra, cambiando o amor

por um coração que sangra a dor da fraqueza de atos.

E não há meios racionais alcançáveis capazes de clarear-lhe

a visão, tornando estanque o sangue que teima e escorrer.

Tempo perdido.

Lastimar é o que resta.

 

São Paulo, 26.11.2004

Fogo

 

Sou fogo vivo, sem legado eu sou.

Sou momento.

Queimando incandescente caminho da chama ao fim, sem saber de mim.

Sem conter o fim.

Sou teu bem mais que eu, sentimento em meio ao breu.

Alma tua, branca e nua.

Em meio ao peito meu entra, fica, permanece.

Feito planta cresce.

E o rumo de nós estabelece feito luz da lua pela fresta da janela rosa e bela, mil vertentes sem razão de mim.

Com razão em ti.

Não sou poeta.

Não vivo na rua.

Encontrei o bom de mim na sua percepção, sem ocultar dos meus olhos à razão e o verbo que define a pulsação do meu tempo e da aproximação.

Flor vermelha, rosa em botão.

Não!

Não!

Não posso falar de flor porque há quem creia que tal qual amor, é lugar comum.

Há quem diga que o melhor é o momento, é o tempo, é o vento e não o que não é mais parte deste meu segmento.

Verdadeiramente porque tal voz jamais tenha sido e eu não houvesse percebido até o instante em que o sol, mais insano que eu, insistiu em nascer e com seu brilho em tom me fez ver.

 

Fernanda Hanna

São Paulo 30.11.2004