FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Flâmula

 

                                         Fernanda Hanna

 

Ouvi de alguém que envelhecer é inerente a viver.

Li em algum lugar que morre-se um pouco a cada dia.

E todos os dias vejo aquelas bandeiras.

Fito os olhos na flâmula brasileira que há diante da minha janela.

É um misto em mim de contemplação e pensamentos que vem e vão.

Sem não o ser em vão.

E lá está a flâmula solitária.

Hasteada e presa ao mastro que lhe ergue, mas retém.

Flama que movida pela vontade dos ventos plana.

Vai, volta, encolhe-se, estica-se, sem saber porque.

Recolhe-se.

Bandeira que me invade a vida dia-a-dia pela luz do meu olhar, mostrando-me que história igual eu não quero contar.

Não quero ser um céu de nuvens e tom gris.

Quero rasgar o véu que separa.

Não deixar que separe mais.

Quero um verão quente e o sol colorindo a chuva que vai rolar.

Saraiva que cairá e irá embora com as águas dos rios, para um dia virar mar.

O mar que vai me levar e me espalhar ao infinito.

Esta é a história que tenho pra contar.

 

 

São Paulo, 21.12.2004

O meu processo

 

       Fernanda Hanna                                     São Paulo, 27.1.2005                     

 

Agora me dei conta da falta que me faz a luz.

Porque me vi defronte a ela.

Senti latente a solidão.

Percebi o quão é importante, durante a caminhada, cada momento dedicado à reflexão.

Momentos que eu deixei passar em branco.

E fiz sucumbir vários.

Porque negligenciei tempo ao tempo, tão necessário.

Olhar na direção da serra e só ver nuvens me faz crer que ao finalde um sonho o que resta é gris, frio e úmido, além da certeza de estar só.

Mesmo que meus olhos me façam ver pessoas por onde caminho.

Pessoas que não sabem de mim, que se quer sei se sabem de si.

A purificação é um processo.

E como tal lento, demanda tempo.

E só ocorre com os primeiros passos, que ora dou em busca das cores e do calor.

O processo que me fará abstrair o que já não importa.

E ao sair, com certeza de não recair, com bom senso selar a porta.

O que ficar por trás será esquecido e o que ficar de fora há de tomar rumo próprio.

E aí então já não serei mais eu, esta que escreve e descreve o processo agora.

Mas alguém melhor, sem mágoas e sem amarras.

Que ousa olhar adiante.

Certa de que a estória se fará porque o futuro acontece a quem espera, a cada instante.

Impossível ser diferente.

-indicação blogs legais uol:

Obs.: Amigos blogueiros, internautas, visitantes, paraquedistas & afins:  quero agradecer a vocês, pela indicação pois é por causa das visitas, votos, comentários que tal se deu. Que todos tenham um ótimo final de semana. Abraços by Sampa city! F.H. 

MÃOS DE DEUS

E Deus decidiu compartilhar o seu poder,
Lá do alto jogou muitas canetas.
Cá embaixo os escolhidos começaram a entender,
Qual era sua função neste planeta.

Everaldo aproximou-se e disse gentilmente:
- Você primeiro, oferecendo seu lugar a Fernanda Hanna,
Esta não perdeu tempo, e apressadamente,
Pegou sua caneta que jazia sobre a grama.

Mãe e filha se abraçavam docemente,
Jéssica disse: - Olha mãe, ali tem duas!
Linda Callou apressou-se e tão contente,
As tomou, após cruzar a estreita rua.

Cinthia percebeu que era a sua vez,
Chamou Erich para que a acompanhasse.
E Lucas num gesto, tão cortês,
Se ofereceu para que só, ninguém ficasse.

Amanda deslumbrada gritou: - Olha ali!
Então Déborah percebeu ser um grito amigo.
Mariana aproveitou e chamou Lindally,
Juntaram-se todas então, ao sortudo Rodrigo.

Cada um pegou sua caneta sem demora,
Foram correndo mostrar para Lucas e Costa.
Os quais estavam segurando suas canetas há horas,
Escondidas atrás de suas costas.

No grupo estavam Diógenes e Emílio,
Que comentavam a cor da caneta da
Júlia.
Ela toda orgulhosa, ostentava em seus olhos um brilho,
Sentia-se feliz em meio à tertúlia.

Ana Paula comentou com Tânia Mara,
O que foi ouvido por Silas, Ivaldo e Serginho.
Que assim como a querida Samara,
Todos sentiam-se mais próximos de Deus, bem pertinho.

Foi então que Gilda chamou a editora Fernanda,
Perguntou-lhe o por quê de tão grande confiança.
Ela disse: - Deus chamou-me, e de forma muito branda,
Disse tê-los escolhido para manter a chama da esperança.

Que em meio a tantos enigmas,
Para que pudesse se comunicar,
Escolheu vocês por serem suas criaturas mais dignas,
Cujas mãos usaria para se expressar.

(Obs: Não foi possível incluir o nome de todos os colegas porque verifiquei que o poema já estava ficando longo demais, mas saibam que não me esqueci de nenhum de vocês).

Um abraço em sua aura,

Homenagem feita por Eduardo de Paula Barreto. a todos que publicam no site Leia Livro

São Paulo, 30 de janeiro de 2005.

"Poema da doce amizade

É muito bom acordar
e ler seu nome em minhas
rotinas postais
e tão melhor, uma poesia
para começar o dia
com suas palavras
suas melodias verbais
seus sonhos traduzidos em linhas
que me encantam em arrepios
de tão lindos arranjos
tão puras alegorias
que inspiram alegria
e amores sensoriais
mas chegará o dia
em que tu serás rainha
de tanto saber o quanto
gosto de você,
só e simplesmente
por assim ser você.
Minha querida Hanna,
Meu carinho que chega
Guardado em caixinhas de letras
Pintadas de poesia."

Sandro Costa

Este poema esta no blog O cão da Costa

Ler

 

                                                           Fernanda Hanna

 

Quando leio sou melhor.

Sinto-me completa.

Como que se cada palavra absorvida durante a leitura fosse se acomodando em mim.

Meus pensamentos são mais limpos, puros, precisos e preciosos.

Dissipo a amplitude que processo em um sorriso, pelo olhar.

Vejo tudo, vejo a vida, vejo o mundo diferente.

E posso garantir que quem não lê jamais sentirá, não captará e não entenderá, sequer o processo.

De procedimentos simples, de conceitos equilibrados e resultados eficientes.

O desenvolvimento das capacidades de cognição e percepção se torna explícito.

Ouvi por aí, numa referência ao organismo, que "somos aquilo que comemos".

Desconheço a origem.

Pois bem, numa referência mais ousada e um tanto mais íntima, quem sabe profunda, afirmo que nosso espírito e nosso intelecto são frutos daquilo que lemos e de tal absorvemos e expandimos e dissipamos durante este raro momento de consciência que é a vida.

Porque lendo pode-se compreender também as agruras desta última.

São Paulo, 01.2.2005

Que festa...

 

                                                                       Fernanda Hanna

 

Não há vernáculo que não fale.

Nem língua prosaica que ouça e cale.

Não é o tempo e nem a prosa-poética levada pelo vento.

Não é, é mais do que vale.

É a dor da realidade latente na cara da gente.

Que festa eu vou fazer?

Que festa eu vou fazer?

Se a minha poesia é o ano todo morrer de fome diante de você.

E você passa e não vê.

Não, não vê!

Não há boca que não fale.

Não há língua que cale diante do que vê.

Na mesa farta não há o que falta.

Na mesa de cá tudo é o que falta.

Mas diz aí, que festa eu vou fazer, se cara-a-cara com você de fome eu morro o ano todo, dia-a-dia sem saber porquê.

É tarde e eu não vou parar.

Eu não vou calar.

Mesmo quando a fome me levar, aqui pregando o meu lamento em meio à sua festa hei de estar.

Você me verá!

Mas o importante é que você consiga festejar porque não me faz dor a ausência do que jamais tive.

E você, do lado de cá, suportaria?

E agora, você!

Que festa você vai fazer?

 

São Paulo, 15.12.2004

Para o tema da quinzena de Anjos Caídos.

No olho do furacão

 

                          Fernanda Hanna

 

Eu não tenho talento não.

Porque minhas palavras destroem imagens e autoconceitos.

Não sobrevivo ao que digo e não suporto o espelho.

Não tenho fôlego e não sei vestir um vestido vermelho.

Porque vestido.

Porque vermelho.

O reflexo ofusca e cega e a noite condena.

Não me vejo mais na mesma cena.

Minha passagem nesta vida é só de ida.

O avião ameaça partir.

A locomotiva apita e grita.

Jamais consegui atuar porque sou assim.

Só assim.

Simples assim, só quem sou.

Eu sou assim.

Eu erro assim.

Assim eu vou pro olho do furacão e lá posso perecer, me deixar vencer, mas sempre sem jamais ter vestido aquele vestido vermelho e uma máscara qualquer.

Agora eu vou voar.

Pra onde não sei.

As gaivotas nunca sabem e se sabem dizem que não.

Mas não volto.

Sou como a água que pela rua rola, vai e não torna.

Jamais.

Talvez assim alguém me leia, me ouça, me entenda.

E finalmente acredite no amor que jurei.

E então compreenda que não volto.

Não porque não quero, mas porque não posso mais.

Não há mais tempo.

 

São Paulo, 13.12.2004

Aparando arestas

 

                                                                                     Fernanda Hanna

 

Num caminho sem fim abri os olhos e percebi que perdi cada passo dado até então.

Porque não me dei conta da necessidade de aparar as arestas.

Imaginei que podia voar para onde quisesse.

Ignorei as redes e não enxerguei as tendas.

Ambas de proteção quase que ambiental.

Não me ative ao fato de que haveriam olhos e ouvidos sensíveis às minhas palavras.

Não me eximi da autoria e não me fiz ouvir ao argumentar, mesmo que não obrigada a fazê-lo.

Senti as amarras e sucumbi à ira.

 

São Paulo, 12.12.2004