FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Faces, fases e sutis reflexões

 

                                   Fernanda Hanna

 

Há tempos me acompanha a idéia.

Porém, gerar nem sempre significa parir.

Tal qual a lua, que tem quatro fases e faces, mas permanece lua, sou eu assim.

Ainda que o arqueiro demonstre destreza,  a seta sempre estará sob o jugo dos ventos, que poderão alterar-lhe a rota e impedir-lhe de alçar o alvo.

Existir é um exercício de passos largos, enquanto viver é subir escadarias quase que em tom de promissão o tempo todo, a passos curtos e contados.

Enxergar mais distante do que permite a luz que invade a retina é ato mental, razoável e pleno.

Vez ou outra depende de permissão externa.

Que ocorre se vencida a prévia do eterno individualismo a que parecem condenados todos os humanos.

Você está em minha mente o tempo todo em inserção perfeita.

E tudo que posso lhe dizer é que lhe quero ao meu lado e espero que venha.

Que estarei onde quer que você esteja.

Mas, só serei com você se assim quiser.

E se souber ser comigo.

Eu não posso falar da estrada, se é de pedra ou aterrada.

Sei que quero seguir por ela e encontrar em breve a flecha espetada no alvo.

Porque a lancei com este fim.

De sim.

Sabemos de nossas faces e das luzes que lhes trazem todas as noites a lua e suas fases.

É certo que elas nos influenciam tal qual com as marés.

É certo que sob os giros que dá em torno de si, a terra traz novidades, mas desde sempre, ainda que não se soubesse das voltas do sol em volta daquela, manteve-se terra.

Talvez por hora não haja mais a ser dito.

É chegado o tempo de refletir, de avaliar.

Oportunamente, será o de escolher.

Resta a delicada indagação:

- há objetivo?

 

São Paulo, 27 de março de 2005.

Amigos (as),

 

Deixo aqui um convite para que visitem o COLCHA DE RETALHOS da amiga Lela que, me presta uma grande homenagem, publicando uma de minhas poesias juntamente com uma bela música da Ana Carolina, "Nua".

 

Os meus sinceros agradecimentos a você Lela e todo o carinho que me dispensa com este gesto.

 

Num momento de absoluta descrença no humano que deveria haver nos seres, são pessoas como você que ainda me fazem ter uma ponta de esperança com relação ao mundo em que vivemos e aos seres que o habitam.

 

F.H. S.P., 25.3.05.

 

Ando Só - Engenheiros do Hawai

 

"Ando só, pois só eu sei
Pra onde ir, por onde andei
Ando só nem sei porque
Não me pergunte o que eu não sei
Pergunte ao pó, desça ao porão
Siga aquele carro, ou as pegadas que eu deixei
Pergunte ao pó por onde andei
Há um mapa dos meus passos
Nos pedaços que eu deixei
Desate o nó que te prendeu
A uma pessoa que nunca te mereceu
Desate o nó que nos uniu
Num desatino, um desafio
Ando só
Como um pássaro voando
Ando só
Como se voasse em bando
Ando só
Pois só eu sei andar
Sem saber até quando
Ando só."

Maior do que eu imaginava

  

           Fernanda Hanna                                 

 

Maior do que qualquer ato ou qualquer coisa que eu poderia ser é a capacidade estampada de me dividir, de me diluir, e ainda assim, crescer.

E ser melhor do que o que eu jamais pude.

Nós não somos só a cor e a fotografia,

Nós somos muito maior do que a luz e a magia.

A magia maior de dividir o melhor que há em nós.

Porque, por mais que a vida nos diga o contrário e as evidências insistam em provar,

Somos muito maiores do que nossas aparências.

Não me ressinto por aquilo que fiz, pois mesmo errando, optando por fazer algo, eu sempre aprendi.

Escolhi viver.

Eu não quero esquecer, naquele velho caderno das folhas nas quais nada escrevi.

O tempo sempre vai passar e a distância entre quem fui e quem serei há de ser tênue.

Porque a cada dia sinto que as expressões deixadas em minha face são também a certeza de haver melhorado.

Eu mudo todos os dias alguma coisa de lugar.

Pelo prazer que me dá tal possibilidade e porque estou viva.

E embora não pareça, porque não sou apenas o que aparento.

A essência velada pelo véu da proteção impede a exposição contínua e o sofrimento que dela advém.

Só me dou a conhecer a quem faz por merecer.

E aí então sou o melhor que possa haver em mim.

A cada instante algo muda de lugar em mim.

O batom, o cabelo, os brincos e o perfume.

Pela alegria da possibilidade de ser muito além do que possa parecer.

E ainda assim, me mata um pouco dia-a-dia o que me alimenta.

Porque brota em mim, feito em mar aberto a louca tormenta, que vem, destrói e afugenta.

Que arrebenta e vai, sem volta.

 

São Paulo, 13.2.2005

 

O tabuleiro flutuante                                         

 

                                      Fernanda Hanna

 

 

E hoje me peguei com o pensamento divagando sobre minorias.

Negros, judeus, mulheres, homossexuais, excluídos sociais e digitais, índios, ativistas ecológicos.

Alguém mais a integrar a lista com um diferencial quase profano?

Que se apresente.

Tenho observado no contexto nacional que nem todas as minorias que relacionei acima têm se limitado às agruras do adjetivo que as mostra segregadas desde os primórdios da humanidade.

Se não, vejamos.

Negros, à base de organizações vêm encontrando meios de fugir ao paradigma que lhes foi imposto desde que “captados” em terras africanas e aqui jogados ao “bel” prazer e dispor dos grandes fazendeiros que, dos homens tiravam a força bruta e das mulheres os trabalhos do lar, levando a ferro e a fogo a expressão “...cama, mesa e banho...”.

Judeus, em número elevado na cidade de São Paulo, sob olhares intransigentes, especialmente quando o “objeto” de apreciação é um ortodoxo, à luz de comentários impacientes e, não raro, imprecisos, livraram-se da tirania de outros povos que sempre visavam seu patrimônio e vêm vivendo ainda da mesma forma.

Tudo que tocam vira ouro.

Talvez essa seja a paga por toda uma existência de perseguições.

Comece-se pelos tempos bíblicos, passe-se rapidamente pela história de “perseguições” em países como Espanha, Portugal, Brasil colônia, república.

obs.: publicado em 3 tempos por falta de espaço cedido pelo Uol.

Atualmente, a não ser pela tão noticiada crise político-religiosa que mantém a guerra entre Israel e Palestina, judeus vivem relativamente bem ao longo do mundo.

Mulheres.Estas, a despeito dos movimentos feministas, da ligeira confusão entre liberdade e libertinagem, e de muitas conquistas, em sua grande maioria, ainda levarão um bom tempo para livrar-se das amarras que lhes impõem, ao longo de toda existência, uma condição inferior.

A mulher vem crescendo ao longo dos anos, mas o que ainda se vê são conquistas individuais cujos resultados nem sempre abrangem o coletivo.

Não porque não lhe serve, mas porque, por uma questão cultural, e até de comodismo pessoal, a mulher não quer mudar sua condição.

Quer ser teúda, manteúda, mantida.

Quem agora não se recorda daquela vizinha, prima, conhecida que optou por aquele cursinho ordinário na faculdade, quando chegou lá, só para “esperar marido”?

É incrível, mas ainda existem mulheres que não trabalham, que são sustentadas pelos maridos.

Em pleno século XXI.

Mais incrível ainda é que existem homens que fazem “questão” disso.

Enfim.

Homossexuais.

À vista de quase tudo que tem sido divulgado na mídia, estão migrando da condição imposta, que em forma de sacrifício carregaram por anos a fio.

A dúvida que surge é:

- será esta mudança uma conquista da classe, uma flexibilização da intolerância heterossexual, independentemente do credo religioso que estes últimos professem ou uma conquista da mídia que resolveu ou teria resolvido fazer um investimento com retorno altamente rentável e seguro?

À luz dos últimos acontecimentos televisivos, mas especificamente no “BBB” ficou evidente a mobilização da classe país afora a fim de que o simpático baiano Jean Willis mantenha-se no programa. E tal vem se repetindo a cada vez que mandam o rapaz para o paredão.

É de fácil percepção também a mobilização de outros setores da sociedade em “prol” da causa.

A justiça gaúcha tem proferido decisões, não raro, favoráveis em ações que versam sobre relações homossexuais.

Recentemente na justiça paulista houve pedido de liminar a fim de que se reconhecessem às uniões homossexuais os mesmos direitos cabíveis às tradicionais.

Preocupa o retrocesso destas conquistas, tão pequenas se vistas ao longo de tanta história, uma vez que homossexualismo não é fruto da modernidade, face às declarações, não menos desastrosas que outras, de alguns políticos que vêm ocupando destaque junto à mídia e que, ainda que não tenham consciência, acabam por formar opiniões ou realçar aquelas já antes destorcidas.

Questiono, até onde a mídia investirá na causa?

Enquanto isso, no Mato Grosso índios morrem de inanição.

Em outros lugares do país brasileiros morrem de fome.

E nós aqui, com nossas barrigas cheias aguardando alguma tragédia mundo afora para nos mobilizarmos e mandarmos toneladas de alimentos, água, roupas, voluntários.

Alguém quer ser voluntário em alguma aldeia indígena em algum canto do Brasil?

Não se exigem grandes qualificações.

Apenas doar-se com amor a um povo espoliado, de território constantemente “roubado”, que não tem mais pra onde correr.

Uma cena mostrada recentemente na tv causa revolta, repúdio, indiozinhos raquíticos, morrendo à míngua e um índio adulto dizendo ao repórter que as crianças vão ficando assim até morrer.

E ninguém faz nada.

Eles não têm onde pescar porque os rios estão poluídos, sem peixes; não têm onde caçar porque as matas dia-a-dia derrubadas tornam-se pastos.

E quem faz isso lhes dá junto a sentença: desaparecer.

E o poder público foi pra alguma “pelada” ou churrascada.

Porque o que realmente importa é chegar e estar lá.

O país vive e sempre viveu segundo um grande jogo de interesses.

O tabuleiro é flutuante e os jogadores também.

A troca constante garante a continuidade.

Ainda que haja sobressaltos, o jogo se perfaz a todo instante.

Ontem os noticiários davam conta de que um partido da oposição tencionava processar o presidente que, mais uma vez, teria falado demais.

E hoje, qual será o tema de destaque central?

É só ligar a tv ou o micro e esperar pelo jornal.

E não adianta trocar o canal.

 

São Paulo, 26.2.05 

"...É a verdade o que assombra,

o descaso o que condena,

a estupidez o que destrói..."

 

                                          Renato Russo

 

 

Sobreviver

 

                            Fernanda Hanna

 

Hoje eu vou fugir.

E não vou contar a ninguém.

Não vou falar da sua ausência, ainda que não consentida.

Não vou falar da dor que me empurra pra rua.

Pra longe, de onde eu possa senti-la à pele.

Vou simplesmente empunhar uma arma contra aquilo que só faz doer.

E vou correr.

E vou tentar sobreviver ao que sinto.

E não vou dizer a ninguém que vou fugir de mim e de você e deste sentimento que me destrói a cada instante.

Que não agüento mais sentir e sofrer.

Que dói mesmo sem saber.

Que foi feito pra construir e aos poucos me corrói.

E dói e destrói.

Hoje eu vou fugir de mim, de nós.

E vou tentar encontrar em outros braços o acalanto que não tenho em você.

E vou tentar encontrar um meio de me despedir de você.

Porque não quero mais sorrir com lágrimas no olhar.

Não quero mais ter que escapar à tristeza e pensar que sua ausência das minhas horas jamais vai findar.

Eu vou fugir e sobreviver...

Hoje eu vou me despir de você, andar por aí e tentar sorrir.

E sobreviver a mim sem você, sem você...

 

 

São Paulo, 04 de março de 2005

As horas com você...

 

                                   Fernanda Hanna

 

As horas agora são as mesmas.

O tempo agora é o mesmo.

Envelhecemos na mesma proporção que os ponteiros insistem em rodar os ângulos todos do relógio.

Já não há lugar pra mim que diste de ti.

Não há palavra que eu diga ou possa dizer sem a você me referir.

Eu não sou aquela que luta contra as convenções, que não briga por contradições, também não sou aquela que sabe dizer que vive bem sem você.

Não há tempo, hora, distância ou solidão capaz de me fazer crer que é melhor sem você.

Porque e simplesmente porque com você tudo é perfeito.

Porque eu vivo milênios em um segundo e traspasso a porta aberta em busca de mais.

Porque eu não sou sem você, eu jamais fui.

Porque eu sou agora a sentença que jogastes em mim.

Porque eu sou assim, sou você e só você e já não me encontro em mim.

E nem quero.

Porque feliz eu sou agora, eu sou assim.

Porque você existe e está em mim.

 

Ao meu amor que não faltou ao nosso encontro marcado.

E possibilitou a certeza de futuro.

Real.

 

São Paulo, 04 de março de 2005.  

Obs.: segue a resposta feita para o poema acima, não publicada em conjunto face à falta de espaço cedido pelo uol.

 

 O nosso tempo

 O nosso tempo é agora
 Sem pressa, mas também sem demora.
 O nosso tempo é o das horas
 mas também é o que sentimos passar,
 enquanto o amor não passa de um esperar.
 O nosso tempo é sem ponteiros
 mas se conta pelo desejo que se esquece de passar.
 O nosso tempo é um guerreiro que nunca se entrega,
 em busca de respostas impossíveis de se dar.
 O nosso tempo é a eternidade
 de uma história de verdade que dispensa narrador
 porque inscrita na memória, porque de amor se faz história
 e ao coração não mente, porque quem ama sabe
 que amar é sentença que se executa pra sempre.
  
 Ao meu amor, que sabe o tempo de dar e receber, de lembrar e esquecer, de discordar e entender... ao meu amor, que tanto sabe de mim, e que me quer simplesmente assim, como eu sou.
by Rafa Cintra Medeiros
  
 04.03.2005`- 15:15h
  
 Nanda, preciso dizer mais alguma coisa? TE AMO