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Você lê, mas não compreende

                                   Fernanda Hanna

Você lê, mas não entende

As pessoas não lêem os conteúdos dos textos que existem expostos internet afora, a não ser que estejam em busca de algo específico, uma pesquisa escolar, por exemplo.

Este blog e outros tantos que há por aí são exemplos típicos da afirma supra.

No caso específico de blogs, observa-se que o ideal e o objetivo é angariar número elevado de visitantes, o que se mostra pelos comentários.

De forma que muitos passam, comentam qualquer coisa e jamais voltam; outros, ainda mais diretos, deixam o convite para visitas a seus blogs.

Quando este blog esteve entre os indicados do Uol, recebia visitas diariamente, no sentido retro.

Neste mesmo período, inscrito no “Blogstars”, com o qual recebeu o selo ao lado, recebeu proposta indecente de visitas diárias e conseqüentes votos a outro blog, a fim de que ambos auferissem o selo.

Será preciso repetir a resposta?

(Ainda está nos comentários).

Ainda, dento da minha teoria quase inconstesti, cheguei a defender em um texto que o poeta não é quem sente, ou nem sempre é o que sente, mas o que vê.

Ainda que blogs, originalmente, tenham a função de ´diários´, nem todos a cumprem.

Este integra o rol dos últimos.

E eu, se houvesse vivido tudo o que publiquei em pouco mais de um ano, não teria feito outra coisa na vida, nem mesmo escrito o que foi publicado.

O texto que antecedeu este, do ano de 2003 é fase, é letra de uma canção minha, e, ao final de sua publicação consta dia, me e ano, data de criação, como sempre presentes em meus textos.

Retomando do início, noto que, à medida em que efetiva-se a inclusão digital e conseqüente crescimento de pessoas e oportunidades rede afora, maior se torna a concorrência e menor a qualidade do que se vê ou se tem para ler.

Afinal, valendo números, por quê preocupar-se com o que escrever, já que o que importa são visitas e comentários?

Para que qualidade, se ninguém ou a grande maioria não lê?

A meu ver, resta a nítida indicação de que a Internet é termômetro ou medidor de comportamento humano, e não falha, uma vez que tudo é virtual, mas nós, que escrevemos e lemos, ainda somos os mesmos, e reais.

Ou realmente iguais.

Existem muitos bons escritores, textos, blogs e sites por aí, bem ainda leitores de olhos bem abertos, como aqueles que estou acostumada a receber por aqui.

O fato é que a informação jogada diariamente na rede é excessiva, capaz de gerar ´stress´.

Basta digitar qualquer palavra em um site de busca, até mesmo de um neologismo, pode ser que haja algum vestígio, nem que pela combinação...

Resta ao leitor mais exigente encontrar seu lado garimpeiro e angariar conteúdo com paciência.

Resta-me ficar na peneira ou, quem sabe, acender uma vela.

Desta feita, este blog é usado como ´diário´.

Desta feita, um texto meu reflete exatamente o que vivo, sinto e penso, inclusive na possibilidade de encerrar os trabalhos por aqui. 

São Paulo, 30.05.2005

Sobre o SARAU que aconteceu dia 14.5.2005 na Casa das Rosas, por iniciativa minha em parceria com o site Leia Livro e colaboradores, bem ainda apoio da Editora Fernanda Fontes, já está publicada matéria com ilustrações fotográficas, para vê-la, basta clicar AQUI. 

 


RECOMEÇO

 

 

Manhã de sol,
terra distante.
Lendas de outrora,
tempos correntes
Histórias em contos,
que contam pra gente.
O tempo das flores,
nos mostra a troca.
Um ciclo se faz,
e a vida se renova.            

Sampa, 21.03.3003

Noite

 

                                               Fernanda Hanna

 

Noite triste.

Céu escuro.

Ouço ao longe a balada dedilhada no violão, entoando uma ode à solidão.

Lá distante alguém verseja o coração nos tons e harmônicos próprios de uma antiga canção.

Noite fria de garoa.

Cá dentro a lareira aquece e o calor ecoa.

Alguém a esperar que outro alguém chegue e lhe toque para sempre com o coração, o olhar.

Na parede o velho quadro denota a paixão pelo mar.

Na sala, a velha mesa de jantar em família relembra dos tempos da infância.

E traz saudades.

Do tempo que talvez haja sido o melhor e que já não torna.

E ainda que assim fosse, de tudo que vi e vivi, nada teria valor, se eu não fosse hoje um pouco melhor.

 

São Paulo, 26.4.2005.

Parada

 

                        Fernanda Hanna         

 

Sonhar para quê?

Fugir, para onde?

Não há porquê correr sem saber o destino.

Já não vejo as horas desde o dia em que vi pela última vez tua imagem na velha foto que me confiaste.

Não sei quanto tempo se foi entre ontem, agora e minhas ponderações.

Mas nada mudou.

O clima ainda é o mesmo e a natureza se renova a cada instante.

E eu com a sobra que já não diz se aprova o tempo que passa e marca em mim os anos que eu não estive ao lado teu.

As estradas que a tudo e todos levam debaixo das asas das horas te deixam longe de mim e o tempo não perdoa.

Pesa na balança, ri a toa, faz-me trança.

Ginga e dança feito criança.

Leva-me ao paraíso.

Joga-me no abismo.

Encarcera-me em meio ao sorriso que denota o frágil cinismo.

Rouba-te a cada instante que corro e te tomo pra mim.

Mas sou como o vinho tinto.

A queda jamais me levará ao chão.

Porque quedo e forjo em meio a terra, ao odor da bela relva, uma colcha de algodão.

Bebo do fôlego da espera e corro a roubar-te outra vez.

E quanto mais te levam de mim, mais forte eu corro a roubar-te.

E mais intensa é a força que te traz para mim.

 

São Paulo, 20.1.2005