FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Morri num São João

 

Sim, morri para a velha existência num São João...

 

Morri no dia 24 de junho de 2004.

Era São João no país em toda sua extensão.

Comemorações de acordo com os costumes de cada região.

Na minha, eu nem sabia que existia.

 

Morri desde então um pouco a cada dia.

Nas viagens,  mesmo aquelas feitas dentro da minha cidade.

Nas conversas longas, francas e inteligentes.

Na possível convivência e troca de experiências.

 

Morri e morro um pouco todos os dias

Quando me dou conta de que a vida é

Um eterno picadeiro

Cada dia um ato histriônico

 

E eu, aquele que tem na face muita maquiagem

E no nariz uma bola vermelha.

 

Morri quando percebi ao longo do tempo

Que a vida me  traz pessoas e situações

Exatamente para me mostrar por toda ela

Que nem tudo que desejo é alçável ou pode ser para mim.

 

Morri e morro a cada instante

Porque percebo que não há o que eu possa fazer

Para alterar o instante

Que altere o futuro por conseguinte.

 

Morri porque descobri o amor e me tornei escravo

De um sentimento de uma vontade de querer

Pra sempre apenas ter meu bem querer e do meu bem

Um querer que quisesse tão grande quanto o meu ser

 

Mas não foi não porque não é, mas porque diferente é

Porque diferente sempre foi

Porque assim foi feito para ser

Só não me foi dito que assim para sempre há de ser

E eu sei mesmo sem saber que agora é hora de me retirar

Porque impera o verbo perder

 

Morri porque não vim nesta vida para vencer

Porque apenas me foi dado conhecer

O que jamais hei de ter.

Morri e não vou voltar.

 

Porque o tempo não pára

As oportunidades não voltam.

Morri porque da morte em vida não há volta

Que traga de volta o que jamais foi.

 

Morri porque ao conhecer o amor

E sua verdadeira função na vida de um ser

Entendi que havia finalmente deixado uma mera existência

Para uma vida eterna.

 

São Paulo, 24 de junho de 2005.  Sob o som de "Jesus Alegria dos homens" - Y. Sebastian Bach

Obs.: Dedicado a todos os nordestinos do mundo que tem um  São João como uma festa típica, porque nós aqui do sudeste, do sul, sabemos apenas fazer "festas juninas".

EM TOM DE CONFISSÃO

 

                        Fernanda Hanna

 

                        “Pensar é transgredir” (Lya Luft, o livro de)

 

 

Então é hora de subverter.

Porque não é possível crer na desordem estabelecida.

Porque o pensamento é rápido e os dias não esperam.

Há demanda.

Porque é preciso viver.

Porque a ordem é vencer as barreiras do tempo, no vento, do preconceito.

Na velocidade da luz que chega aos meus olhos a cada novo dia.

Mais rápido do que os pensamentos que fazem cessar a fome em detrimento do empunhar a caneta e colocar no papel a angústia que consome gradativamente a paixão que impulsiona a vocação.

Não, não tem ponto não.

É frase longa mesmo, pra ser compreendida com a razão.

“Pensar é transgredir”.

Então é proibido mentir, ainda que pra si mesmo.

Porque aí está, e me fizeram encontrá-lo, o pior engano.

“Pensar é transgredir” e quantas vezes forem necessárias eu vou repetir.

E não há que falar em fugir.

A vitória é alçável, a quem a queira alcançar.

Não vou mais dizer que não falo de mim no que escrevo.

Porque, vez ou outra falo sim.

Por meses tentei crer no engano do não  que refletido em cada palavra sempre foi sim.

Eu falo sim porque ouso transgredir (pensar?) e publicar e dividir.

Porque não viveria se assim não fosse.

Vegetaria.

Sim, frase de uma palavra, diz tudo.

Porque diz tudo.

E, caso não o fizesse, terminaria por explodir.

Eu sou assim, uma meia bomba, mente-metade sempre inteira, um pulso constante.

A mente incandescente que não repousa sequer um instante.

O coração onde o amor é constante, o que me faz melhor a cada dia.

E a saudade não é mera roldana, é mola propulsora.

  

São Paulo, 21 de junho de 2005... e o inverno chegou trazendo 14ºs para a Capital. 

RECOMEÇAR - Carlos Drummond de Andrade

Nao importa onde voce parou... Em que momento da vida voce cansou... O que importa e que sempre e possivel e necessario "Recomecar".

Recomecar e dar uma nova chance a si mesmo... renovar as esperancas na vida e o mais importante... Acreditar em voce de novo.

Sofreu muito nesse periodo? Foi aprendizado...

Chorou muito? Foi limpeza da alma...

Ficou com raiva das pessoas? Foi para perdoa-las um dia...

Sentiu-se so por diversas vezes? E por que fechaste a porta ate para os anjos...

Acreditou que tudo estava perdido? Era o inicio da tua melhora...

Pois ... Agora e hora de reiniciar... De pensar na luz... De encontrar prazer nas coisas simples de novo.

Um novo curso... Ou aquele velho desejo de aprender a pintar... Desenhar... Dominar o computador... Ou qualquer outra coisa...

Olha quanto desafio... Quanta coisa nova nesse mundo de meu Deus te esperando.

Ta se sentindo sozinho? Besteira... Tem tanta gente que voce afastou com o seu "periodo de isolamento"... Tem tanta gente esperando apenas um sorriso teu para "chegar" perto de voce.

Quando nos trancamos na tristeza... Nem nos mesmos nos suportamos... Ficamos horriveis... O mal humor vai comendo nosso figado... Ate a boca fica amarga.

Recomecar... Hoje um bom dia para comecar novos desafios.
Onde voce quer chegar? Ir alto... Sonhe alto... Queira o melhor do melhor... Queira coisas boas para a vida... Pensando assim trazemos pra nos aquilo que desejamos... Se pensamos pequeno... Coisas pequenas teremos... Ja se desejarmos fortemente o melhor e principalmente lutarmos pelo melhor... O melhor vai se instalar na nossa vida.
E e hoje o dia da faxina mental... Joga fora tudo que te prende ao passado... Ao mundinho de coisas tristes... Fotos... Pecas de roupa, papel de bala... Ingressos de cinema, bilhetes de viagens... E toda aquela tranqueira que guardamos quando nos julgamos apaixonados... Jogue tudo fora... Mas principalmente.... Esvazie seu coracao... Fique pronto para a vida... Para um novo amor...
Lembre-se, somos apaixonaveis... Somos sempre capazes de amar muitas e muitas vezes...

Afinal de contas...

Nos somos o "Amor"...

 Poema em partes

 

                                               Fernanda Hanna

 

A minha tristeza tem nome.

É a saudade, que machuca e que invade.

Que invade e que tortura.

Que não vai porque você não vem.

A minha tristeza tem nome.

É o não.

É dizer não pra quem não (vem) tem o que me dizer. (trecho escrito no dia 03.4.05)

É enxergar o engano e dissimular a certeza estampada na face. (trecho escrito no dia 14.4.05)

Eu queria poder me deitar e adormecer, mas sequer ouso me recolher.

Porque atormentada pelas lembranças não consigo te esquecer.

Talvez jamais consiga.

Ainda que queira.

Pois ainda que deixe de acreditar no amor, tenho alma sonhadora.

E alma assim ama para sempre.

Vive um único amor.

Posto que no meu coração ninguém jamais ousou.

E você chegou, dele se apossou e não  houve o que tal condição mudasse.(trecho escrito no dia 08.6.05)

Porque ainda que quem quer que seja diga qualquer coisa,

Não há que se olvidar que havia um forte sentimento.

Era amor e ele estava lá.

E sempre estará.(trecho escrito no dia 16.6.05, quando dei por findado o poema e o publiquei com o nome POEMA EM PARTES).

 

Concluído em São Paulo, aos 14.6.2005.

Só a pausa de uma semibreve

 

                                   Fernanda Hanna

 

Eu quis sentar no banco da praça a fim de observar as árvores, os pássaros e as pessoas.

Porque há algo de comum entre os três elementos e pensei que se os observasse, aquele se definiria sem grandes dificuldades.

Notei que enquanto as pessoas circulavam, os pássaros, nos mais altos galhos, enfeitavam as copas das árvores, feito adornos de natal e não bastasse as cores alegres, também davam conta do fundo musical.

E as pessoas...

Bem, estas passavam de um lado para outro, não raro muito apressadas, e sem algo que indicasse que deveriam respirar.

Talvez o tempo de uma semibreve, num compasso de ¼.

Perdiam a beleza que a natureza ali estampada lhes proporcionava e não se davam conta.

E o que restou comum foi o tempo...

 

São Paulo, 08.6.2005