FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

     Atrás do tempo                  Fernanda Hanna

Mas, jamais atrás do vento.

O momento pede e eu reflito

E percebo um grande conflito

Mas não me limito.

Vou à luta.

Que é ardua.

Mas, certamente a recompensa não tarda.

São Paulo,31 de julho de 2005, às 18h38min. O domingo já foi...

Quem de nós dois

(La mia storia tra le dita - Gianluca Grignani)

(versão Dudu Falcão / Ana Carolina)

Eu e você
Não é assim tão complicado
Não é difícil perceber
Quem de nós dois
Vai dizer que é impossível
O amor acontecer
Se eu disser que já nem sinto nada
Que a estrada sem você é mais segura
Eu sei você vai rir da minha cara
Eu já conheço o teu sorriso, leio teu olhar
Teu sorriso é só disfarce
E eu já nem preciso
Sinto dizer
Que amo mesmo, tá ruim pra disfarçar
Entre nós dois
Não cabe mais nenhum segredo
Além do que já combinamos
No vão das coisas que a gente disse
Não cabe mais sermos somente amigos
E quando eu falo que eu já nem quero
A frase fica pelo avesso
Meio na contra-mão
E quando finjo que esqueço
Eu não esqueci nada
E cada vez que eu fujo, eu me aproximo mais
E te perder de vista assim é ruim demais
E é por isso que atravesso o teu futuro
E faço das lembranças um lugar seguro
Não é que eu queira reviver nenhum passado
Nem revirar um sentimento revirado
Mas toda vez que eu procuro uma saída
Acabo entrando sem querer na tua vida
Eu procurei qualquer desculpa pra não te encarar
Pra não dizer de novo e sempre a mesma coisa
Falar só por falar
Que eu já não tô nem aí pra essa conversa
Que a história de nós dois não me interessa
Se eu tento esconder meias verdades
Você conhece o meu sorriso
Leu no meu olhar
Meu sorriso é só disfarce
Por que eu já nem preciso...
 

Resistência

                  Fernanda Hanna

Eu não vou lutar contra a corrente. Joguei no tempo tudo o que havia para ser lançado. Corri atrás do teu amor. E contra tudo o que você sequer imagina eu lutei. Sangrei, chorei, perdi noites inteiras em sonhos e desesperos. Fui aonde jamais imaginei, mas infelizmente como tudo é falível. Eu também sou.

Fracassei porque por essas coisas da vida, Por aquilo que chamas “limites” não sou aquilo que melhor lhe convém. Por isto lhe perdi. Perdi o amor que dediquei e aquele que não conquistei porque não fui suficiente para tanto. Pretensão. Não sei. Talvez não. Talvez sim. Quem há de saber? Agora nos resta o tempo. Para amargar você o seu e eu o meu. Sofrimento. Agora resta o lamento.

E a certeza de que amar não pode dar certo, senão em contos, romances, estorietas de amor lançadas nas telas de tv e cinema. Porque o senhor dos impérios é cruel com seus servos e lembra-lhes a todo instante à sua ínfima condição. Porque as regras sociais dizem que tem que ser assim. E assim será.

Não importa se há dor e a quem há. Importa que se cumpra a vontade e o capricho de quem pode. E a quem não pode... Resta o popular: “se f...”. Abandonar a resistência é a certeza de ver mantida a dignidade. Sendo certo que esta última se conta não por números em uma conta...

São Paulo, 26 de julho de 2005.


Amor

Amor com dor.

Solidão, soluços e dor.

Ato amador.

São Paulo, 28 de julho de 2005.

Confiança: ou há ou não

 

                                   Fernanda Hanna

 

Confiar é crer na sinceridade do outro.

É crer que o outro é quem diz a você que é.

É dormir com alguém certo de que terá uma noite agradável, que culminará com o tranqüilo despertar.

É ver no olhar do outro que ele te quer tanto bem quanto você a ele.

É fazer planos juntos e trabalhar para realizá-los.

É ouvir “eu te amo” com o mesmo impacto estomacal que sente ao dizer-lhe que o ama, ao sentir que o ama e quer ao seu lado para todo o sempre.

Confiar é crer que será eterno pelo próprio sentido do eterno, porque ambos querem e não somente “enquanto dure”.

Confiar é manter-se desarmado e ser surpreendido com o fato de que o outro não merece a sua confiança, quiçá o seu amor.

Ainda assim, você terá dado o melhor de si, terá confiado.

Confiança é o maior alicerce que uma relação pode ter.

Vem antes do amor, amizade, companheirismo e cumplicidade.

O rito dita que a partida inicia-se com créditos.

A vida ensina que quando a confiança parte, a relação, ainda que haja amor,

Morre.

 

São Paulo, 25.7.2005

 

Noite fria, momentos de reflexão.

É chegada a hora de tomar o avião...

 

Lótus ou apenas lama

 

                                               Fernanda Hanna

 

Noite escura.

Céu de estrelas.

Vez ou outra, da janela vejo nuvens passageiras.

Da lama o odor de lótus emana.

O aspira a alma humana.

Do chão ergue-se um vestígio de esperança entoando no sorriso uma velha canção.

A história ensina que o comportamento é tese de cartilha de início de alfabetização.

Cansada a compleição empurra adiante o corpo de espírito distante.

O cancioneiro desenhou na partitura as notas e depois partiu.

Malas em punho.

Para trás não olhará jamais.

Ao único músico presente resta o desafio de fazer soar a melodia a fim de que aquela alma só, triste e fria encontre em pura percepção algo que lhe dê vida e não a esta última reste apenas mera alusão.

E que o amor que, capaz de globar todos os sentidos e sentimentos, sobreponha-se à intolerância que segrega, sangra e mata.

Porque da lama todos procedemos.

O Segredo é saber ser “flor de lótus”.

Assentar-se sobre aquela é mera conseqüência.

Inspirar seu perfume é gratificação alçável a quem se sabe desde sempre “lama”.

“...e que minha loucura seja perdoada porque metade de mim é amor e outra metade também...”(Oswaldo Montenegro – Metade).

E que a sabedoria desenvolva a compreensão e a capacidade de amar acima da linha do horizonte levando no vôo apenas o inerente à sua realização.

Sem armas e as amarras, em terra nova, o caminho está para quem sabe percorrê-lo.

É tempo de partir.

 

Aos 18.7.2005, sobre as Minas Gerais...faz frio no avião...

O comandante avisa que em São Paulo faz mais... 9º...

É pra lá que eu vou...

 

Inspirando no texto “Lótus” constante do livro “Osho de A a Z”, de Osho.

"Nós dois 

                               Celso Adolfo

E nós que nem sabemos quanto nos queremos
Que nem sabemos tudo que queremos,
Como é difícil  o desejo de amar.
Você que nunca soube quanto eu quis
Que não me coube, não me viu raiz
Nascendo, crescendo nos terrenos seus.
Eu da janela  olhando a lua , perguntando a lua
Onde você  foi amar ?
E nós que nem soubemos nos querer de vez
Estamos sós laçados em dois nós
Um que é meu beijo outro é o lábio seu.
Não sei sair cantando sem cantar você,
Que eu sei cantar mais conto com você
Que eu vou seguir mas vou seguir você.
Queria que assim sabendo se a gente se quer
Queria me rimar no teu colo mulher
Vencer a vida como ela vier
Ganhar o seu chegar meu
Dar de mim o homem que é seu
Ganhar o seu chegar no chegar meu,
Dar de mim o homem que é seu."

PLANOS

 

                                               Fernanda Hanna

 

 

De quem é a voz que clama para  pela voz que chama para si um sorriso de criança não gerada, nem parida, em família não constituída?

De quem é o choro que lamenta o ventre não fecundo que de forma prosaica chama filhos o que inventa?

De quem serão as lágrimas pelo rebento forjado em palavras que jamais terá efetiva criação?

Dele mesmo!

Não, também!

Porque esperança de vida não tem.

Na tarde fria alguém parte o coração de outrem embarcado de voleio e pés descalços no lento trem.

De passagem um anjo triste parte levando consigo a alegria que houve um dia.

Não diz se volta, o que já não importa porque o abismo capaz de forjar união é exatamente do contrário do quinhão amealhado em tostão, o que leva à solidão.

E só, cada qual à sua maneira, viverá a própria condição.

Sem avidez porque eterna e companheira é a solidão.

 

“... hoje eu tô sozinha e tudo parece maior, mas é melhor ficar sozinha que é pra não ficar pior...E já que eu to só, não sei se me levo ou se me acompanho, mas é que se eu perder eu perco sozinha, se eu ganhar, aí é só eu que ganho...”

(Hoje eu tô sozinha – Ana Carolina).

 

Sobre o Rio de Janeiro, aos 18 de julho de 2005. 

Porque você não estava lá

 

 

Quando precisei, onde estava você, que não ao lado meu?

Ao seu tempo, você não soube permanecer, em mim, sem entranhar, ainda que tenha me dado a conhecer.

Houve o tempo em que acreditei no humano e de você sempre o melhor esperei.

Porém, o tempo da ingenuidade se foi e já não volta, há muito o deixei.

Porque os espelhos d’água já não fazem com que os raios do sol reflitam iluminando a sala.

É noite, a lua não veio e por ora o que esta mão aqui escreve é o que a alma surrada, na lama banhada, reflete.

As notas se vão e o cravo entoa o silêncio.

A escuridão intensifica o desejo.

Tento dormir e na estrada sonhando me vejo.

Comigo os sons da voz que de você emana e encanta, mas já não diz.

O maestro deixou o palco e a orquestra parou.

A dignidade quer ir embora, mas prefiro e vou jogar as chaves fora.

Porque o momento diz que não há respostas à todas as perguntas, que jamais haverá.

Que eu não teime em fazer tudo, mas que eu faça bem feito e melhor aquilo que puder.

E então estará eleito o meu melhor tempo.

Sem dor e sem saudade, sem você e esta sombra que invade e insiste em permanecer.

 

São Paulo, 05.6.05, 02h55min, madrugada fria de outono...

 NOS AMAMOS?

 

Sob a luz do que eu já não mais enxergo durante este tempo todo

Tornei-me verbo sujeito

A tudo que passava em nome do amor que senti

Sujeito a todas as tempestades capazes de acontecer provenientes de você

Recolhi muitas vezes minhas vestes

Molhadas da água da chuva toda

Que tomei todas as vezes que me jogou na rua

Por amor eu fui e voltei tanto que perdi as contas, a vergonha e o respeito

Me fiz verbo sujeito

A todos os seus caprichos entitulados crises

Em nome do amor que sentia

Aceitei as migalhas que caíam de cima da sua mesa

Como um cão que espera pacientemente que o dono

Se lembre dele ao comer eu quis ter seu amor e nem seu cão consegui ser

Ainda assim paguei com amor que era o que eu tinha a oferecer

De verbo sujeito,

Sujeito jogado ao chão,

                                                                         (por falta de espaço, o final segue abaixo)--->>>

Hoje atendo pelo nome solidão

Aquela que me faz ver a cada dia que a tristeza jamais é tardia

Que humilhar quem se diz amar, quem se sabe amar é covardia

De sujeito solidão eu vou

Andando lentamente rumo ao meu destino

Levando na bolsa um lenço e na mente uma canção

Eu vou tentar deixar essa fase passar, esfriar.

A vida trouxe, o tempo há de levar

Do corpo surrado a dor há de passar

A ferida aberta... esta, talvez nem o tempo seja capaz de fechar

Ma há a certeza de que a liberdade que tanto quis

Você para sempre há de ter

Eu não detenho as chaves que em verdade jamais tive

E você sempre soube

Levo comigo a certeza de que amei como criança

O sentimento mais nobre e puro que pude dedicar a alguém

Os sonhos e planos foram todos para você

Que não me quis como sou, porque sou ou não sou exatamente

Como aquilo que cai bem aos olhos do mundo.

Porque o coração sangrando já não tem esperança.

Porque as pessoas valem pelo que têm e não pelo que verdadeiramente são e sentem.

Meu ofício é o que tenho.

O ganho é curto, o trabalho muito.

A mente fica ocupada, o corpo cansa.

O tempo passa, um dia eu morro e tudo acaba. 

 

S.P. junho/05