FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Amor azul-terra

Te conheci menino.
Te aprendi amor garoto.
Como homem feito,
Chamei o nosso, Amor-perfeito.

Era outono, te chamava “Bela”
No verão, pintei-te aquarela.
No inverno, chocolate com canela.
Na primavera, era eu, só, em uma cela.

A vida, eterno cíclico,
Outra vez levou-te de mim
Creio, sem saber também,
Levar-me de mim.

São anos de espera, é certo que um dia,
O mundo, azul-terra esfera,
Girará e tu, tornarás...
Ainda que em outra ‘era’.

São Paulo, 27 de setembro de 2005.

Missões missivas ou remissivas

 

                        Fernanda Hanna                  

 

 

Pensando sobre a vida e como a vejo,

Retratando-a em cadernos com tinta e letra “de mão”,

Tenho percebido o quanto não há acaso em tudo ou nada.

Tenho certeza que esta vida é feita de missões

E não encontros furtivos e casuais,

A despeito de haver no humano mais que ser,

O ego que aqueles o faz querer.

Não respiramos porque é ar,

Mas para o cérebro oxigenar,

Para sorrir, andar, chorar, falar...

Assim, creio que os encontros que temos

Ao longo de nossas vidas integram as tais missões a que viemos.

E, tão “sui generis” que só quando acontecem é que

As percebemos missivas ou remissivas, talvez até quando findam.

Sem olvidar que, uma sempre demandará a outra,

Porque a vida é um ciclo.

 

São Paulo, 19 de setembro de 2005.

  

CONCEDER: PERDER E GANHAR

 

                                                               FERNANDA HANNA

 

Perder é ganhar se houver sabedoria para aproveitar o momento.

Ganha-se ao perder verificando-se o horizonte e ao redor, com a habilidade de um relojoeiro e a delicadeza de um ourives.

Na assertiva “não abrir mão de nada para ser feliz”* não há acerto.

Porque falta inteligência, falta saber, não só conJugar, mas fazer uso do verbo conceder.

Saber conceder integra o ser feliz.

A gente quando perde, ganha porque cresce, se desenvolve e entende que a vida é constituída de perdas e ganhos e há voltas diuturnas.

A volatilidade das coisas abstratas nos remete,a despeito da contradição, ao concreto, ato e fato, embutido na adjetivação de origem.

Mudanças, vistas de longe, distantes de acontecer, próximas do provável, são abstratas e voláteis.

Ao depois...

Ainda que, ser algum diga que “não”, ou qualquer frase que denote o absoluto, este não mais é que ledo engano.

Porque o abstrato poderá não se concretizar.

As mudanças acontecem, ou não.

E então o concreto terá ou não sido obra de abstração.

E, a depender do  “conceder”, haverá, ainda que posterior à perda, algo que garanta o ganho.

É preciso aumentar a visão periférica porque, até a próxima revisão da língua***, o tempo não “pára”, nunca.

 

16.9.05. De algum lugar perto do mar, com aquele forte abraço da foto e todo carinho à grande amiga que outra vez parte na estação das flores ou próximo dela.

Outra vez porque “caí para cima”. 

Na ânsia de que, desta feita, o lapso seja menor. E esperemos pelo que a vida nos reserva.

 

*uso comum. 

**acervo pessoal.

***pátria.

Memórias...

 

E agora, aqui distante, longe de tudo,
No silêncio das horas,
Nos instantes incessantes que o tempo insiste em me fazer contar
Ainda escuto ao longe o telefone que já não toca.
E se toca não é você, não é mais você, jamais será.
Ouço em silêncio o chamado que já não acontece.
Pisando a areia, ainda vejo, onde quer que olhe, o sorriso que jamais tornará.
Sentindo a brisa que vem do mar, ainda lembro as brincadeiras, as piadas e boas tiradas.
Sobre a cama, ainda lembro os momentos memoráveis:
-As leituras e poemas da madrugada.
-O amor fora de hora.
-O sono ao depois.
-O sorriso sútil e atroz ao despertar.
Se durmo, ainda sinto o cheiro seu ao acordar.
Ainda procuro seu corpo nas manhãs
Para, como antes, amar e amar, e amar ininterruptamente até o êxtase.
Ainda procuro você nas madrugadas quando acordo só.
E só permaneço.
E nestes momentos, ainda procuro entender porque a morte lhe levou.
E porque tenho que ficar aqui a vagar, sem saber para onde ir.
Feito um barco sem leme, sem timoneiro, à deriva.
Sem você para me dizer que isto ou aquilo é bom ou não.
Sem você para me dizer quem sou.
Não sei quem sou,
Sem você para viver...

Em algum lugar perto do mar, 09 de setembro de 2005.

“...- você sente muita dor?

- Não, existem coisas que as pessoas nos dizem

capazes de nos fazer sentir muito mais dor....”*

 

Eu-Aquarela

 

Se eu fosse Luiza diria que a brisa que vai e que vem

Já não me faz mais bela, nem branca, nem tela.

Mas à mão humana, aquarela.

Agora sou outra, depois deste tempo, mais que barco à vela.

A tela humana em cores forjada.

Tal qual o sementeiro cultiva a terra

Fui tela ao pintor do homem.

Que ao som dos carrilhões me desenhou e coloriu.

Olhou-me e sorriu.

Deixou os pincéis e as tintas

E ao depois sem olhar para trás partiu.

A colorir outras telas vida afora.

E agora adormece em mim uma parte do céu e outra do mar.

De cá um pássaro-flor, pra fazer lembrar da liberdade e do amor.

De lá um pouco do mar, pra fazer pensar na grandeza do gesto.

E com sua energia, tornar-me forte outra vez.

E agora sou outra, já não mais aquela nem branca e nem bela.

Apenas a frondosa e colorida aquarela

Carmim, verde anis,

Jamais com cores gris...                                     S.P. 04.9.05

*O texto de abertura é parte de uma conversa minha com uma amiga. S.m.d.

** Dedico este poema a uma amiga que adorava artes, telas, desenhos, que, infelizmente, por estes acasos perdeu sua vida recentemente. Certamente fará muita falta, em especial pelas coisas boas que fez enquanto viva, pelo que, também será lembrada.

“Tra-tado” sobre a mentira

 

                                   Fernanda Hanna

 

Mas o que é a mentira além das verdades inverídicas que os Homens ditam?

Convido-os à comigo discuti-la nestas incursões, meus caros.

Alguém, já se perguntou sobre a verdade presente na história que contam e assim a chamam sobre a origem da primeira mentira?

Nem eu, cuja condição de eterna pagã permite-me a desobrigação de ser sã e não ler sobre os temas anteriores à era cristã.

Claro, com todo respeito aos que atentam para tal eu que intitulei este texto “tra-tado”, fruto de ferida aberta “tra-tado”, mais do que sentido, tratarei de revelá-lo, mais do que tentá-lo.

Algo assim, mas por certo é fruto de que abomino e ou arde em mim.

Passadas as premissas, deixando de lado todaa sorte de preguiças, vamos a ela: mentira.

Elemento ambíguo, duvidoso, cultural, essencialmente humano e social.

Ambíguo: duas faces possui, ou é verdade a mentira ou é mentira a verdade.

A verdade é que onde há mentira, jamais se sabe se há verdade.

Tudo que se considerava verdade cai por terra em detrimento da mentira.

Toda sorte de boa construção rompe-se, feito barracos de papelão que caem dos morros nos dias de tempestades de verão.

E onde há verdade, certamente se, pensa-se presente ou não a mentira, verdade já não é mais.

Humano.

Não posso dizer com ar ‘pasmada’

-“Oh! Se é humano, então não sou!

Não?!

Não sou exatamente o que, humana ou adepta da mentira?

Sou humana e acredito que a mentira social é um mal, não raro, necessário, mas nem por isso, menos mal.

E o que ouso explorar aqui, mais que a social, é aquela mentira que corrompe, destrói mata e rompe qualquer possibilidade de futura presença da verdade: a mentira moral.

Porque onde há mentira moral jamais haverá confiança para que se possa crer na verdade real.

Mentira, tão adjetivada na frase anterior, resta-me algo a dizer?

Ou  devo ater-me a dissecar tal definição?

Não, não, não.

Pensar, fica por vossas contas.  continua--->>>>

Se houver algum mentiroso moral presente, não sorria!

Enquanto lê este texto está sendo intimado.

Pela vida que é absoluta, demanda labuta, julga e da qual não há fuga à luta.

À, ao menos pensar sobre a mentira que anda a pregar.              

Hoje, amanhã e ou um dia, dada a sorte de dissabores causados pelas tuas palavras,  tuas mentiras tornarão a ti e não há promessas de suavidade no gosto.

É certo que ao fundo do poço hás de chegar.

Mas dizem que há uma mola.

E aí dá-se a volta, tu abres a porta e recomeça.

E toda a mentira dita terá somente destruído o que e quem ficou atrás e cada um que cuide das próprias feridas e aprenda a verdade acerca da confiança, para não crer e cair em contos mentirosos, feito criança.

Porque às crianças levarão consigo o eterno resguardo da puerilidade, a inabalada capacidade de perdoar e ESQUECER.

Porque o primeiro acontece só, e somente se o segundo permitir!

Então não me digas que “perdoas, mas não esqueces” porque esta está aí outra mentira.

Fica o convite: praticantes da mentira de cunho moral, extirpem de vos este mal, optem pela verdade.

Esta, por mais que traga dor, jamais será questionada, jamais trará em si o fardo da mentira.

 

São Paulo, 04 de setembro de 2005.

 

Dedico este texto integral a duas “grandes amigas”, que tiveram suas histórias recentes “extirpadas” pela mentira de cunho moral. Pessoas que sei, grandes que são, haverão de seguir seus caminhos, a despeito da destruição.

Qual é o crédito?

Qual é o crédito que se confere a quem falta à verdade por fraqueza, covardia ou defeito de caráter?

Quem pode se dizer leal, fiel, verdadeiro e honesto, se cultua e prática insensatamente a mentira?

Há quem ouça, se agrade e aprove atos do tipo supra ditos, aqueles que são exatamente iguais.

Quem em verdade se dá a conhecer encerra questão mostrando de pronto à que veio.

Impossível avaliar pessoas e seus caráteres sem convivência.

É certeza plena de erro.  Engano. Enganar-se de pessoa leva à decepção, frustra expectativas, leva à alma a desilusão e o espírito se afasta do real, porque a escuridão deste, daquele ofusca os sentidos, fere o coração.

Quem foste tu que em palavras imbuídas de sagacidade, carinho e amizade, atos adornados com generosidade me arrebataste todos os sentidos nas horas de uma noite eterna?

Quem foste, dentre todas, nos olhares e sorrisos, a mais bela? Quem que em um rompante expulsou-me do palco, eu, de protagonista a mero figurante de nossa história.

Quem és tu que perdeste o controle sobre os nós que atavam à tua face à máscara de bela?

Máscaras sempre caem, não lhe disseram? A bela com que me arrebataste caiu...

E agora desconheço-te fera gritante que traz no peito uma pedra pulsante e no olhar fogo incandescente.

Desconheço-te não mais bela, tão somente fera. Caíste do céu, tal qual a estrela que tentas a todo custo manter erguida.

E quando em meu peito explode a ferida rasgada pela lança do ódio teu, criado, cultivado e crescido, com o qual me faz agredido, e a mim lançado por ato e contrato teu com tuas bestas feras.

Aquelas às quais te aliaste, eis que a ti tão semelhantes ervas de puro veneno.

Olhando os retratos do passado e te vendo agora, não te reconheço mais. Pior, te desconheço.

Passo a crer que fostes em minha vida tal qual as grandes intempéries naturais que assolaram e dizimaram populações inteiras.

Mataste todos os meus glóbulos protetores. Execraste minha’alma.

Me resta saber que por mim, tal qual o tigre ao não gato, não te ensinei pular para trás. E ora te arranho com garras de fera e do alto da janela te vejo partir sangrando, vais de volta ao teu covil, ter com tuas bestas, onde, por certo, entre teus pares acharás o que te caí perfeito.

E quando a cegueira deixar teus olhos te restará a dor, a solidão, as lembranças, a saudade e a certeza de que, com tua ignorância e maldade, à lama tudo lançaste. Sem volta.