FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

A face da moeda

Há o outro lado da moeda.
Aquele que cai no chão e não se vê.
Mas há quem veja.
Há quem sinta.
O que sente.
Que sabe crescente.
Conhece descrente.
O outro lado da moeda não pára na sua mão porque é quente.
Mas há quem sinta,
O sabe dissidente.
Porque sente.
O outro lado da moeda é a face oculta do óbvio,
Fruto do impróprio,
Objeto do inesperado.
O outro lado da moeda
É o filho que jamais virá,
A família que à mesa nunca se reunirá,
São planos curvos demais para se concretizar,
Sonhos rendidos,
Anos perdidos,
Amores vencidos.

São Paulo, 28.9.05

Tocaia de mim

A mente apavorada
Mente pra si e diz: que caía,
Que a culpa é do coração,
Que em verdade, sente.

Este chora, sofre, sangra
Nas mãos de seu algoz,
A toda sorte de tortura submetido,
Em lágrimas, diz que a culpa é daquela

Que ama profunda(mente), mente?
Não se rende, não esquece
A falta do corpo, alma, sente
Bem rente à pele branca, (lama?)quente.

O traço do pintor, se em carvão, em tela branca
O vento assopra, espanta
Se tinta em óleo de linhaça
Marca o momento como criança

Sopra no espírito esperança, que o tempo jamais leva
Ainda que sobrevenha o vento incerto
Amor feito o seu, em mim
Amor de dor, desamor, não quero perto.

São Paulo, 27 de setembro de 2005-09-27
2:45 horas
Madrugada de “primavera”, muito fria.
Mais que a alma que a morte espera.

Beija-flor

 

                        Fernanda Hanna

 

Eu queria calar, mas rouca, a voz insiste em falar.

Eu queria não pensar, mas insistente, o pensamento permanece na mente a vagar.

Eu queria ver a folha branca do papel e não ter o que escrever.

Pra que permanecesse alva, sem mácula, sem refletir a dor do carmim que lhe cobre a gotas espaçadas.

Eu queria, tão somente ver voando no branco do papel um beija-flor, a contemplar, vagaroso, beijo-a-beijo cada flor.

E então teria um jardim e cobriria o tom alvo com azul céu.

E pensaria somente na capacidade que tem esse anjo de despir-se de si e contemplar uma flor.

Para, quem sabe, um dia tornar-me uma delas.

 

São Paulo, 01.10.2005 

Armas: Con(ou)sen-ti-mento, sim ou não?

 

                        Fernanda Hanna

 

É noite mas não paira o silêncio como deveria.

E eu a refletir, plena ou sadia.

Será?

Um ideal de vida: o mundo desarmaria.

A cada arma rendida

Uma breve acolhida

Numa alma doravante florida.

E assim, prega-se ao povo que vá referendar.

Que vá tirar dos ombros do Congresso um seu atributo.

Porque projeto a votar tem muito.

Porque entre santas e putos,

A fazer, se tem muito.

Mas ninguém se apresenta.

Refletir me faz encontrar duas perguntas.

E só poderei escolher quando estiver com as respostas.

- sem armas, quem a defesa me fará?

- se, com elas, alguém me matar?

 

São Paulo, 18.9.2005