FRAGMENTOSFRAGMENTOS...FRAGMENTOS...PORQUE A VIDA NÃO PÁRA NUNCA! bBlog

Lembranças

 

                                                      Fernanda Hanna

 

E o pássaro silenciou...
A noite veio e levou-lhe a voz
Num tom melancólico de quem diz:
“-que fique entre nós”.

E a solidão se fez canção
E o vento já não se fazia anunciar
Pelas rajadas das pedras que batiam entre si,
Que presas cada vez mais alto,
Mais distantes faziam-se em todos os instantes.

E as lembranças dos velhos amantes
Era tudo o que lhes faria por todo o sempre alimentar.
Quedou-se a muralha.
Quedou-se no abismo
Das falas mansas
Das fadas e danças.

E a partida sempre chega quando é hora.
E não há quem deixe de ir embora
Por causa de um seu amor
Porque sempre se insere na canção
Aquele amargo de dor, tom.

São Paulo, 24.3.06

Silêncio

O silêncio que fere e mata

não é aquele que se evidencia

pela ausência dos sons,

mas sim

o que enebria e entorpece a alma

com a frequência

de sua presença pulsante.

SP, 14.3.06

Feridas
 
                                        Fernanda Hanna
 
São incontáveis os deslindes de uma causa.
Podendo ao final ser apenas um.
Partir e não tornar ao que ficou o olhar.
Sentir na face a brisa e crer
Que o tempo outro sentimento trará.
Pensar no amor sem o pensar amor.
Pensar na mulher que amou
Sem ouvir-lhe os gemidos da hora do amor.
Esperar que o anunciador
Componha o som do vento uivante e te leve adiante.
Guardar à saudade a lembrança e no olhar a esperança.
E levar contigo a certeza de ter sido
E agido com dignidade.
E ao depois, ver adormecer calada a fera magoada,
Por amor ferida, pela dor da espera parida.
E permanecer silente face à estrela rendida.

São Paulo, 05.3.06
Sob o som/dom de Ana Carolina "Pra rua me levar"